
Meses de silêncio — e só agora o indiciamento: o caso Silvio Almeida explode depois de blindagem da esquerda e omissão da imprensa
Enquanto denúncias de assédio se acumulavam, governo, aliados e grande mídia tratavam o assunto como tabu. Agora, com a PF indiciando o ex-ministro, o silêncio cúmplice fica ainda mais gritante.
Depois de meses de silêncio constrangedor por parte da esquerda e da imprensa tradicional, o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida finalmente foi indiciado pela Polícia Federal por importunação sexual. O indiciamento ocorreu nesta sexta (14), dando um desfecho que há muito tempo deveria ter chegado — mas que só agora ganha destaque, como se tudo tivesse surgido do nada.
Silvio Almeida foi demitido do governo Lula em setembro de 2024 após uma série de denúncias de assédio reveladas pela ONG Me Too e pelo portal Metrópoles. Entre as mulheres que foram a público, uma delas foi justamente a ministra Anielle Franco, que prestou depoimento narrando os episódios de assédio cometidos pelo ex-ministro.
Mesmo assim, o caso foi tratado com extremo cuidado — silêncio absoluto de setores que normalmente fazem barulho quando o acusado é de outro espectro político. Nada de coletivas indignadas, nada de manchetes diárias, nada de pressão pública. Parecia que todo mundo havia combinado virar o rosto.
Agora, com o indiciamento da PF e o caso sendo encaminhado ao STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, a história ressurge. A Procuradoria-Geral deve ser acionada para decidir se apresenta denúncia formal contra o ex-ministro.
Silvio, por sua vez, nega tudo “com absoluta veemência”, chamando as acusações de mentiras e até alegando perseguição política e racismo. Mesmo afastado, ainda enfrentou investigações da Comissão de Ética da Presidência e tentou voltar à vida pública, dizendo frases de efeito como “o morto levantou”.
Mas o que fica mais evidente agora não é só o conteúdo das acusações — graves e sérias —, e sim o vazio ensurdecedor que se instalou durante meses. A falta de cobertura, a falta de cobrança, a falta de posicionamento.
Um silêncio que, para qualquer observador atento, soa como blindagem política.
Só agora, com o indiciamento oficial, muitos voltam a comentar o caso. Mas o fato inegável permanece:
a rapidez para julgar alguns nunca parece a mesma quando o acusado é alguém querido por setores da esquerda ou próximo ao governo.
E é exatamente esse tipo de seletividade que destrói a confiança do público — e que merece todo o repúdio.