
Moraes Amplia Alcance das Investigações e Liga Atores do 8 de Janeiro a Parlamentares
Na condenação de um manifestante a 14 anos de prisão, o ministro aponta conexões entre os atos golpistas e políticos investigados em inquéritos do STF
A decisão do ministro Alexandre de Moraes que condenou Lukas Matheus de Souza Felipe — o “patriota” que apareceu em vídeos usando um extintor para destruir parte do Congresso — foi além da pena. No documento, Moraes estendeu o olhar para um cenário maior: o das investigações que cercam parlamentares ligados aos inquéritos das fake news e das milícias digitais.
Segundo o ministro, não se trata de episódios isolados. Ele afirma que existe uma “conexão probatória” entre aqueles que executaram os ataques de 8 de janeiro e políticos que são investigados por possíveis ações de incentivo, articulação ou financiamento desses atos.
Nomes de peso aparecem no texto
Moraes mencionou nomes importantes do mundo político, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, além de parlamentares como Carla Zambelli, Bia Kicis, Otoni de Paula, Filipe Barros, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, entre outros.
Todos eles têm foro no STF e já aparecem em inquéritos que investigam ataques ao Estado Democrático de Direito.
O ministro também citou diretamente outros deputados — como Clarissa Tércio, Coronel Fernanda, André Fernandes, Sílvia Waiãpi e Cabo Gilberto Silva — todos ligados a procedimentos abertos por solicitação da Procuradoria-Geral da República.
“Não foi só vandalismo”
Para Moraes, os atos de 8 de janeiro foram a ponta visível de um movimento mais amplo. Ele afirma que o plano dos manifestantes era pressionar por um golpe militar e “o retorno da ditadura”.
A condenação do “patriota”, portanto, faz parte de um esforço maior para responsabilizar tanto quem estava na linha de frente quanto aqueles que, segundo as investigações, podem ter contribuído para que o movimento florescesse.
Na avaliação do ministro, o fato de haver autoridades com mandato parlamentar envolvidas reforça que o STF é o foro adequado para conduzir esse conjunto de apurações.
A decisão, que já gerou reações no meio político, deixa claro que a Justiça pretende cercar todas as pontas do que considera uma tentativa organizada de ataque institucional — das mãos que seguraram o extintor aos que, nos bastidores, podem ter ajudado a acender o pavio.