
Moraes autoriza visitas familiares a coronel preso por tentativa de obstrução
Ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara poderá receber visitas de parentes e advogados mesmo estando detido por envolvimento em trama golpista
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro, receba visitas de familiares enquanto segue preso no Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, dia 20.
Câmara está detido sob acusação de obstrução de justiça, por supostamente tentar acessar informações sigilosas da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, figura central na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. Segundo os autos, ele teria se comunicado com Cid por meio de um perfil falso no Instagram, identificado como @gabrielar702.
A decisão de Moraes permite que o coronel receba visitas presenciais ou virtuais de pessoas próximas, como esposa, filhos, pais e irmãos, desde que respeitadas as normas do local de detenção. Advogados que o representam formalmente também estão autorizados a visitá-lo.
Preso preventivamente na quarta-feira (18), Marcelo Câmara teve sua prisão mantida após a audiência de custódia realizada no dia seguinte. Além disso, ele está proibido de acessar redes sociais, mesmo por intermédio de terceiros, e de manter qualquer contato com outros investigados no caso.
A defesa do militar, representada pelo advogado Eduardo Kuntz, tenta anular a delação de Mauro Cid usando como argumento o suposto uso do perfil falso para troca de mensagens, o que, segundo a defesa, comprometeria a legalidade da colaboração premiada.
A investigação contra Câmara faz parte do processo que apura a tentativa de subverter o resultado das eleições de 2022 e instaurar um regime autoritário no país.