
Moraes exige transparência do Rio após operação na favela: “Mostrem as provas”
Após operação com 121 criminosos mortos, ministro do STF ordena que o governo fluminense entregue laudos, vídeos e identifique policiais. A decisão expõe contradições e levanta suspeitas sobre a conduta das forças de segurança.
Em meio à tragédia que marcou os complexos do Alemão e da Penha, onde 121 pessoas perderam a vida numa operação policial que mais pareceu uma incursão de guerra, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu exigir do governo do Rio de Janeiro todas as provas que ainda resistem à poeira da violência.
Ele determinou que o estado envie ao STF os laudos das necrópsias, os registros dos projéteis e a lista completa dos policiais que usaram câmeras corporais. Moraes também mandou preservar as imagens gravadas — material essencial para se entender o que realmente aconteceu naquela manhã em que as favelas viraram palco de horror.
A decisão veio acompanhada de um tom de desconfiança. O ministro apontou contradições gritantes entre o que o governo e a Procuradoria informaram: enquanto um fala em 51 alvos, outro menciona 69 mandados. No meio desses números frios, há corpos, há famílias, há dor.
Moraes também cobrou explicações sobre o inquérito aberto contra moradores que retiraram os corpos da mata — um gesto de humanidade que acabou tratado como crime. Sua ordem é clara: o Rio deve enviar em 48 horas a lista dos presos, dos mandados cumpridos e das audiências de custódia realizadas.
A resposta do Supremo soa como um grito contra a opacidade que cobre essas operações. O que se quer agora é transparência, não versões convenientes. Porque em meio a tantas mortes, o que não pode morrer é a verdade.