Moraes liga militares e ex-integrantes do governo a suposta trama golpista

Moraes liga militares e ex-integrantes do governo a suposta trama golpista

STF inicia julgamento do “núcleo da desinformação”

Relator afirma que o grupo atuou para minar a democracia entre 2021 e 2023, espalhando mentiras, atacando instituições e tentando derrubar o governo eleito.

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (14) mais um capítulo da longa novela jurídica sobre a suposta tentativa de golpe de 2022. A Primeira Turma da Corte deu início ao julgamento do chamado “núcleo 4”, também conhecido como o núcleo da desinformação, que reúne sete acusados de atuar em uma rede de ataques contra a democracia brasileira.

O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que abriu a sessão apresentando um resumo minucioso das acusações e de todos os passos já cumpridos no processo. Segundo ele, as provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam que o grupo fez parte de uma organização criminosa que teria operado entre julho de 2021 e janeiro de 2023, com o objetivo claro de desestabilizar as instituições e depor o governo legitimamente eleito.

“A organização criminosa foi composta, em sua maioria, por integrantes do governo federal da época e por militares das Forças Armadas”, afirmou Moraes, sem poupar palavras.

Entre os acusados estão Ailton Barros, Ângelo Denicole, Carlos Moretzsohn Rocha, Giancarlo Rodrigues, Guilherme Almeida, Marcelo Bormevete e Reginaldo Vieira de Abreu. A denúncia afirma que o grupo se dividia em frentes: uns disseminavam notícias falsas sobre o processo eleitoral, enquanto outros elaboravam relatórios e documentos falsos para dar aparência de legalidade às ações.

De acordo com o Ministério Público, Ailton Barros teria recebido instruções diretas do general Walter Braga Netto para atacar autoridades contrárias ao projeto golpista. Já Ângelo Denicole seria o responsável por forjar relatórios sobre supostas fraudes nas urnas, enquanto Moretzsohn Rocha teria ajudado a construir argumentos jurídicos para ações eleitorais apresentadas por Jair Bolsonaro e Braga Netto.

Outros nomes, como Marcelo Bormevete e Giancarlo Rodrigues, são acusados de integrar uma célula clandestina da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dedicada ao monitoramento ilegal de autoridades, incluindo ministros do próprio Supremo.

O ministro Moraes também destacou a atuação do militar Guilherme Marques Almeida, acusado de espalhar desinformação com o objetivo de fomentar o caos político e social. Já Reginaldo Vieira de Abreu, ex-chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência, teria contribuído na coordenação das ações golpistas.

O processo chegou a essa fase depois que, em maio deste ano, o STF aceitou integralmente a denúncia por unanimidade. Moraes lembrou que todos os réus foram notificados e apresentaram defesa, mas suas tentativas de anular a ação ou pedir absolvição sumária foram rejeitadas.

O julgamento segue em andamento, com a promessa de novas revelações sobre o vínculo entre o poder militar e o núcleo político que, segundo as investigações, tentou derrubar o resultado das urnas em 2022.

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