
Moraes vira alvo de acusações durante julgamento de Bolsonaro
Ex-assessor acusa ministro de manipular documentos para justificar operações da Polícia Federal
Enquanto o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus segue no STF, um novo capítulo se desenrola fora da sala de audiência. O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, agora também enfrenta denúncias de seu ex-assessor, Eduardo Tagliaferro, que prestou depoimento remoto à Comissão de Segurança Pública do Senado.
Tagliaferro, que atualmente está na Itália, afirmou que em 2022 foi instruído a elaborar um relatório que justificasse uma operação da Polícia Federal contra empresários ligados à campanha de Bolsonaro. Segundo ele, o documento teria sido posteriormente adulterado para mostrar uma data anterior à ação policial, dando a impressão de que a investigação havia sido iniciada por motivos técnicos, e não por uma notícia divulgada pela imprensa.
O ex-assessor foi incisivo: descreveu a atuação de Moraes como estratégica, comparando o gabinete do ministro a um jogo de xadrez, onde os investigados seriam meras “peças” manipuladas para atingir objetivos políticos.
As declarações foram apresentadas diante de Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, reforçando uma estratégia do grupo bolsonarista de manter Moraes sob pressão e criar elementos para pedidos de suspensão do julgamento ou até de impeachment.
Mesmo que essas ações não mudem o curso jurídico imediato, o depoimento de Tagliaferro adiciona tensão e munição política para os próximos capítulos do julgamento, prolongando o embate entre a defesa de Bolsonaro e o STF.