MST acusa governo de inflar dados da reforma agrária: “Terra prometida que nunca chega”

MST acusa governo de inflar dados da reforma agrária: “Terra prometida que nunca chega”

Movimento denuncia que áreas divulgadas como entregues ainda nem foram desapropriadas. Para o MST, números servem apenas para propaganda e não refletem avanços reais.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) criticou duramente o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, por supostamente maquiar os números da reforma agrária. Segundo o movimento, o governo estaria divulgando dados inflados sobre novos assentamentos, numa tentativa de mostrar avanços que, na prática, não se concretizam no campo.

Para os líderes do MST, o relatório divulgado pelo governo contabiliza como “entregues” terras que ainda estão em disputa judicial e que sequer foram oficialmente desapropriadas. Eles apontam que, enquanto os números animam discursos em Brasília, as famílias acampadas continuam sem qualquer acesso à terra.

“Estão pintando um Brasil que não existe”, resumiu uma das lideranças do movimento.

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Agrário rebateu as críticas e afirmou que os dados apresentados são reais e transparentes. A pasta explicou que considera como entregues as propriedades que já passaram por avaliação técnica e tiveram verba reservada para o processo de desapropriação, mesmo que ainda não estejam liberadas para o uso imediato.

Mas a justificativa não convenceu o MST. Diante do que classificam como “falta de compromisso com a verdade e com os sem-terra”, o movimento anunciou o rompimento político com o ministro Paulo Teixeira. O grupo também promete aumentar as mobilizações em todo o país para pressionar o governo federal a avançar de fato com a reforma agrária — e não apenas no papel.

A tensão reacende um embate histórico entre movimentos populares do campo e promessas oficiais que muitas vezes não se transformam em terra cultivável para quem dela precisa.

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