“Ninguém sabia de nada”: ministro diz que governo foi pego de surpresa por escândalo no INSS

“Ninguém sabia de nada”: ministro diz que governo foi pego de surpresa por escândalo no INSS

Após prisão do número dois da Previdência, Planalto jura desconhecimento e repete discurso de sempre

Em mais um capítulo do já conhecido roteiro político brasileiro, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou nesta quinta-feira (18) que o governo Lula não fazia ideia do envolvimento do número dois da pasta, Adroaldo Portal, no esquema de fraudes que sangrou aposentadorias do INSS. Segundo o ministro, a descoberta foi tão inesperada quanto conveniente: só veio à tona quando a Polícia Federal bateu à porta — e prendeu o auxiliar.

A reação foi rápida, ao menos no discurso. Assim que a nova fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada, Adroaldo acabou exonerado. Wolney garantiu que não havia “qualquer informação real” sobre a participação do agora ex-secretário-executivo em atos ilícitos. Em outras palavras, tudo acontecia sob o nariz do ministério, mas ninguém via, ninguém sabia, ninguém desconfiava.

Para ocupar o cargo, o ministro apresentou Felipe Cavalcanti, procurador federal de carreira e ex-consultor jurídico da pasta, como símbolo de uma prometida virada de página. Wolney reforçou que segue a orientação do presidente Lula de “conter a crise”, proteger os aposentados e restaurar a integridade da Previdência — missão que, curiosamente, só ganhou urgência depois da operação policial.

Com tom ensaiado, o ministro afirmou que “esse governo não protege ninguém” e que CGU e PF têm liberdade total para investigar. A frase soa forte, mas esbarra na ironia dos fatos: o esquema só veio à tona graças à investigação externa, não por mecanismos internos de controle.

Wolney também disse desconhecer detalhes da atuação de Adroaldo no esquema de descontos associativos. Segundo ele, a única informação recebida antes da operação veio da CGU, avisando que haveria uma ação da PF e que o secretário-executivo seria alvo de pedido de prisão domiciliar — sem maiores explicações, claro.

Para completar o quadro, veio à tona que Adroaldo Portal já havia trabalhado no gabinete do senador Weverton Rocha (PDT-MA), outro nome atingido pela operação com mandados de busca e apreensão. Coincidência, dirão alguns. Conexão óbvia, dirão outros.

No fim, sobra a sensação amarga de sempre: quando o escândalo explode, o governo diz que não sabia; quando a polícia age, a exoneração vem; e quando os aposentados são lesados, a indignação oficial aparece tarde, embrulhada em discursos de surpresa e promessas de rigor que já ouvimos antes.

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