Exonerado, número dois da Previdência tinha histórico de trabalho com senador investigado pela PF

Exonerado, número dois da Previdência tinha histórico de trabalho com senador investigado pela PF

Adroaldo Portal e Weverton Rocha já atuaram lado a lado antes de serem alvos da Operação Sem Desconto

A nova fase da Operação Sem Desconto trouxe à tona conexões antigas que hoje ganham outro peso. Entre os alvos da Polícia Federal nesta quinta-feira (18), estão o agora ex-secretário-executivo da Previdência, Adroaldo Portal, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) — dois nomes que já dividiram o mesmo ambiente de trabalho no passado.

Dados do Portal da Transparência do Senado mostram que Adroaldo Portal atuou como assessor de Weverton Rocha em 2019. Na época, ocupava um cargo de confiança e recebia salário de aproximadamente R$ 22 mil. Hoje, anos depois, ambos voltam a aparecer no mesmo inquérito, agora sob a mira da Polícia Federal.

Nesta etapa da operação, Adroaldo Portal foi alvo de prisão domiciliar, enquanto o senador teve a residência vasculhada por agentes da PF, em cumprimento a mandado de busca e apreensão em Brasília. As diligências fazem parte da investigação que apura um esquema de descontos ilegais aplicados a aposentadorias e pensões do INSS.

As ligações não param por aí. A apuração revelou que Eduardo Portal, filho do ex-número dois da Previdência, trabalha desde 2023 no gabinete do senador Weverton Rocha. Ele ocupa um cargo comissionado de ajudante parlamentar intermediário, com salário bruto em torno de R$ 3,9 mil, reforçando a proximidade entre as famílias e o gabinete do parlamentar.

Diante do avanço das investigações, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, determinou a exoneração imediata de Adroaldo Portal. Em nota, o ministério e o INSS afirmaram que continuarão colaborando com as investigações e atuando para recuperar os recursos desviados no esquema, destacando que as irregularidades tiveram início em gestões anteriores e foram interrompidas no atual governo.

Para ocupar o cargo deixado por Portal, foi nomeado o procurador federal Felipe Cavalcante e Silva, que passa a responder como secretário-executivo da pasta.

Já o senador Weverton Rocha afirmou ter recebido com surpresa a operação em sua residência e declarou que está à disposição para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso completo à decisão judicial.

O caso expõe, mais uma vez, como antigas relações políticas e administrativas ressurgem em momentos críticos, lançando sombras sobre estruturas que deveriam zelar justamente pela proteção dos aposentados e pensionistas.

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