
Nobel da Paz ironiza papel de Lula como mediador entre EUA e Venezuela
María Corina Machado diz que o presidente brasileiro não ajudou nem os opositores de Maduro e questiona: “Como ele vai intermediar um conflito internacional?”
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, não poupou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ele se oferecer para mediar o conflito entre Estados Unidos e Venezuela. Em entrevista ao podcast venezuelano La Conversa, Corina classificou a proposta como “surpreendente” e ironizou a suposta capacidade de Lula para resolver uma crise internacional.
“É espantoso. Depois de mais de um ano com cinco reféns na embaixada argentina sob proteção do Brasil, o governo Lula não conseguiu garantir sequer um salvo-conduto. Nem luz conseguiu restabelecer na embaixada. Como ele acha que pode intermediar algo tão grave agora?”, disse a opositora, em tom de incredulidade.
Corina se referia ao episódio em que membros da oposição ao regime de Nicolás Maduro ficaram asilados na embaixada argentina em Caracas e pediram ajuda ao governo brasileiro — que, segundo ela, nada fez. Os opositores acabaram sendo resgatados pelos Estados Unidos.
A líder da oposição venezuelana também afirmou que Lula se omitiu diante das violações de direitos humanos na Venezuela e demonstrou indiferença em relação ao sofrimento do povo do país. “Parece que, para o presidente Lula, os venezuelanos simplesmente não importam”, criticou.
Em meio à tensão causada pela mobilização naval dos EUA perto da costa venezuelana, Lula disse, durante uma reunião na Malásia, que a América do Sul é “uma região de paz” e que estaria disposto a “ajudar o diálogo” entre Washington e Caracas.
A fala, no entanto, gerou desconfiança e até ironia fora do país. Como resumiu Corina Machado:
“Se Lula não conseguiu ajudar meia dúzia de pessoas presas em uma embaixada, como vai conseguir resolver um impasse entre duas potências?”