Trump veste a fantasia de pacificador e anuncia plano de “paz” para Gaza

Trump veste a fantasia de pacificador e anuncia plano de “paz” para Gaza

Ex-presidente dos EUA propõe cessar-fogo no Oriente Médio, mas reforça apoio irrestrito a Israel caso Hamas rejeite o acordo.

Donald Trump voltou ao palco internacional, desta vez se colocando como arquiteto da paz no Oriente Médio. Após encontro com o premiê israelense Benjamin Netanyahu, o republicano apresentou um plano de cessar-fogo para Gaza que, segundo ele, foi articulado com países como Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Paquistão. Batizou a proposta de “Paz no Oriente Médio” — como se fosse tão simples quanto assinar um contrato imobiliário.

O esboço prevê a libertação de reféns, a devolução dos corpos de vítimas e, em fases, a retirada das tropas israelenses de Gaza. Trump ainda se ofereceu para coordenar uma espécie de “diretoria da paz”, alegando que líderes da região teriam pedido especificamente pelo “presidente Donald Trump” no comando. Apesar de dizer que está “ocupado demais”, afirmou que faria esse “sacrifício” pelo bem mundial.

Na prática, porém, o discurso revelou a contradição habitual: enquanto fala em cessar-fogo, Trump reafirma apoio “total” a Israel para “fazer o que for necessário” caso o Hamas não aceite o acordo. Ou seja, paz no papel, mas pólvora pronta para ser acesa.

Trump também deixou claro que o Hamas não terá espaço em qualquer processo futuro. Relembrou o ataque de 7 de outubro, exaltou os milhares de militantes mortos e, convenientemente, não mencionou os milhares de civis palestinos enterrados sob os escombros.

Apesar de citar especialistas palestinos, Trump manteve-se firme contra o reconhecimento de um Estado da Palestina. Para ele, os países que ousaram fazê-lo — muitos deles aliados dos EUA — agiram de forma “tola”. A mensagem ficou clara: a paz que Trump oferece é seletiva, com palco iluminado para Israel e um canto escuro reservado aos palestinos.

No fim, o “plano de paz” soa mais como autopromoção do que como solução real para uma guerra que já ceifou vidas demais. Um espetáculo onde Trump se coloca como maestro, mas o que se ouve é mais barulho de bombas do que música de reconciliação.

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