
O ciclo sem fim de Patrick Rocha Maciel
Preso pela 1ª vez aos 10 anos, jovem já soma 87 passagens pela polícia e foi detido novamente após ser flagrado escondido no forro de uma loja em Copacabana
Patrick Rocha Maciel tem apenas 21 anos, mas carrega nas costas um histórico de dar nó na cabeça da Justiça: 87 passagens pela polícia, 12 idas ao Degase e pelo menos 20 processos criminais desde que alcançou a maioridade. A mais recente prisão aconteceu na madrugada desta segunda-feira (18), quando policiais do 19º BPM foram acionados por um sistema de segurança e o encontraram escondido no forro de uma loja na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, com R$ 768 na mochila.
A vida de Patrick é marcada por um começo precoce no crime. Aos 10 anos, foi levado pela primeira vez a uma delegacia após furtar bicicletas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Pouco depois, ainda criança, já participava de assaltos em grupo. Entre os 10 e os 17 anos, foi parar ao menos dez vezes em unidades do Degase. Sem pai nos documentos e abandonado pela mãe — investigada por maus-tratos e abandono de incapaz — cresceu sem apoio familiar e sem concluir o ensino fundamental.
Desde os 18 anos, o histórico só se agravou:
- 13 vezes por furto
- 3 vezes por porte de arma branca
- 2 vezes por roubo
Entre idas e vindas ao sistema penitenciário, Patrick chegou a pedir ajuda: pediu documentos gratuitos, atendimento social e até auxílio para voltar para casa. Recebeu apenas um papel com o endereço de um Creas. Saiu da prisão e voltou para as ruas — e para o crime.
As decisões judiciais, muitas vezes, abriram brechas para novas prisões. Em julho deste ano, por exemplo, um juiz o liberou após furto, afirmando que não se pode presumir que alguém vá reincidir. Menos de duas semanas depois, Patrick voltou a ser condenado a dois anos e cinco meses em regime semiaberto.
Nesta segunda, ele foi mais uma vez detido. Para muitos especialistas, o caso de Patrick escancara o que já virou rotina no Rio: a soma de abandono social, falhas no sistema socioeducativo e um ciclo de “prende e solta” que nunca fecha.