
Entre grades e brechas da lei: a história sem fim de Patrick Rocha Maciel
Aos 21 anos, jovem com 86 passagens pela polícia volta a ser preso no Rio, menos de um mês após deixar o presídio por decisão judicial
Patrick Rocha Maciel, de apenas 21 anos, parece viver dentro de um carrossel sem fim entre prisões e solturas. Com um histórico que assusta — são 86 passagens pela polícia e pelo menos sete entradas no sistema prisional carioca — ele voltou a ser detido neste domingo (18), em Copacabana, após ser encontrado escondido no forro de uma loja.
A prisão acontece menos de um mês depois de Patrick ter sido solto, graças a uma decisão judicial que entendeu que o furto cometido por ele — em uma farmácia — não envolveu violência ou grave ameaça. Na ocasião, o juiz o condenou a dois anos e cinco meses em regime semiaberto, mas autorizou que respondesse em liberdade, sob condições como comparecimento mensal em cartório.
A trajetória de Patrick é marcada por contradições. Criado no Morro da Providência, começou cedo no crime: aos 10 anos já conhecia o interior de uma delegacia. Da infância difícil, vendendo balas em Copacabana, passou para registros de furtos, assaltos e até motins dentro de unidades do Degase. O uso precoce de drogas e a ausência de estrutura familiar completaram o enredo. Sua mãe também tem diversas passagens criminais, e o nome do pai sequer consta nos documentos.
Apesar da ficha extensa, o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) ressalta que apenas 14 registros se tornaram anotações criminais e, destes, só três resultaram em condenações. Para a Justiça, nem o passado pesado de Patrick pode ser usado como justificativa automática para manter uma prisão preventiva: “Não se pode presumir que os acusados retornarão a delinquir”, escreveu o juiz ao soltá-lo em julho.
Mas a realidade mostrou outro rumo. Menos de um mês depois de deixar a cadeia, Patrick voltou a ser notícia, novamente detido — mais uma vez reforçando a sensação de que o sistema de “prende e solta” nunca fecha o ciclo da violência.