
O Encontro Que Virou Constrangimento: Richa Ataca Deltan no Aeroporto, Mas o Passado Pesa Mais
Deputado, já envolvido em ao menos três grandes escândalos no Paraná, protagoniza bate-boca com Dallagnol em Curitiba
A cena no aeroporto de Curitiba parecia roteiro de novela, mas era apenas mais um capítulo da longa lista de constrangimentos protagonizados por Beto Richa, ex-governador do Paraná e hoje deputado federal pelo PSDB. Na fila para embarcar rumo a Brasília, ele e o ex-procurador Deltan Dallagnol trocaram acusações em voz alta depois de um olhar atravessado.
Richa teria iniciado a discussão chamando Deltan de “canalha”. O ex-procurador não deixou barato:
— “E você é um bandido. Deveria estar preso.”
Para quem acompanhou a carreira política do ex-governador, a resposta não surpreende. Richa já figurou no centro de três grandes escândalos no estado:
1. Operação Quadro Negro — desvio de R$ 20 milhões de escolas públicas
A Justiça aceitou denúncia que aponta que, entre 2011 e 2015, recursos destinados à construção e reforma de escolas teriam sido desviados. Segundo promotores, o esquema incluía propinas, contratos superfaturados e pagamentos clandestinos — um deles, de R$ 50 mil, teria sido entregue dentro do banheiro de um órgão público. Richa virou réu e é apontado como beneficiário direto da organização criminosa.
2. Operação Integração — pedágios do Anel de Integração
Outro capítulo nebuloso envolve suspeitas de propinas pagas por concessionárias de pedágio. Investigações apontaram que o esquema teria custado bilhões aos paranaenses. Richa chegou a ser preso temporariamente enquanto parte do caso avançava na Justiça.
3. Operação Rádio Patrulha — direcionamento de contratos do programa Patrulha do Campo
Nessa investigação, Richa também foi preso, acusado de comandar fraudes em licitações destinadas a serviços rurais. O caso envolveu familiares, assessores e empresários próximos.
Mesmo com os processos tendo sido posteriormente anulados ou arquivados por decisões judiciais — inclusive por Dias Toffoli — o histórico está aí, imponente como uma sombra que teima em não desaparecer.
O bate-boca no aeroporto
No encontro tenso desta semana, Richa afirmou ter confrontado Deltan após ser encarado por ele. Os dois já tinham se cruzado no dia anterior, em um clube de Curitiba, mas evitaram conversa. Desta vez, o deputado não conteve a irritação.
Richa acusou Deltan de perseguição política e de irregularidades na Lava Jato. O ex-procurador respondeu oferecendo revisar, ponto a ponto, o processo que levou Richa à prisão durante a operação:
— “Vamos ver quem é você.”
A discussão ficou quente, mas não passou para agressões físicas. Ambos embarcaram no mesmo voo, acompanhados pelos deputados Filipe Barros e Reinhold Stephanes.
O passado que não cala
Apesar de insistir que tudo não passa de “perseguição política”, Richa coleciona processos, delações, prisões e denúncias — muitos deles envolvendo dinheiro público, contratos superfaturados e vantagens indevidas.
Em todas as ocasiões, sua defesa reforça que ele é inocente e confia na Justiça. Mas, para quem vê de fora, o acúmulo de escândalos deixa um rastro difícil de ignorar.
Procurado, Deltan não se pronunciou sobre o episódio — e talvez nem precisasse. Às vezes, basta deixar que o histórico fale por si.