
đŹ Streaming na Berlinda: novo projeto dobra taxa e vira homenagem a cineasta brasileiro
Projeto que impĂ”e regras Ă s plataformas digitais chega Ă CĂąmara com nova roupagem, dobrando a taxação do setor e ganhando o nome de âLei Toni Venturiâ; enquanto governo e empresas negociam, produtores cobram soberania e valorização do conteĂșdo nacional.
O polĂȘmico projeto que tenta, hĂĄ anos, colocar ordem no universo do streaming no Brasil acaba de ganhar um novo capĂtulo. Agora com nome prĂłprio â uma homenagem ao cineasta Toni Venturi â, o texto chegou Ă CĂąmara dos Deputados com cara nova, alĂquota maior e o peso de uma discussĂŁo que mexe com gigantes como Netflix e Amazon.
Batizado de Lei Toni Venturi, o substitutivo propĂ”e que as plataformas de streaming passem a pagar 6% de seu faturamento bruto para a Condecine â a contribuição que financia o cinema e o audiovisual nacional. O nĂșmero dobra o percentual sugerido na versĂŁo que saiu do Senado, que previa apenas 3%. O valor arrecadado vai direto para o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), e pode tambĂ©m ser revertido em investimentos diretos em produçÔes brasileiras.
AlĂ©m do aumento na taxa, o relatĂłrio â ainda nĂŁo oficialmente apresentado â impĂ”e uma cota mĂnima de 10% de obras nacionais nos catĂĄlogos das plataformas. E ainda permite que as empresas deduzam atĂ© 60% da contribuição se investirem diretamente em conteĂșdo independente feito no Brasil.
A relatoria estĂĄ nas mĂŁos da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que adaptou o projeto vindo do Senado, originalmente relatado por Eduardo Gomes (PL-TO) â que, aliĂĄs, marcou presença na manifestação bolsonarista recente na Paulista.
Enquanto isso, nos bastidores do setor, o burburinho Ă© grande. Produtores, diretores e entidades do audiovisual tĂȘm pressionado o governo e o Congresso com duras crĂticas. Em carta aberta, dezenas dessas instituiçÔes afirmaram que a forma como o governo Lula estĂĄ conduzindo o tema ignora a soberania cultural do paĂs e minimiza o potencial do mercado brasileiro. Para eles, a taxação ainda estĂĄ muito abaixo do ideal: defendem uma alĂquota de 12% sobre tudo, inclusive sobre publicidade.
O MinistĂ©rio da Cultura, por sua vez, afirma que defende o mĂnimo de 6%, mas que ainda nĂŁo hĂĄ acordo fechado â tudo segue em âconstrução polĂticaâ.
Nesse meio-tempo, enquanto se debate no papel, as gigantes do streaming se aproximam cada vez mais de setores do governo. Reformas em cinemas, açÔes de promoção turĂstica e parcerias com equipamentos pĂșblicos estĂŁo no radar de plataformas como a Netflix e a Amazon. Um movimento que acontece, curiosamente, no mesmo ritmo em que a discussĂŁo sobre taxação avança no Congresso.
O projeto â e toda a disputa que o cerca â ganha agora um novo sĂmbolo: o nome de Toni Venturi, cineasta que dedicou sua vida Ă produção nacional e Ă defesa do audiovisual brasileiro. Toni morreu em 2023, nadando no litoral paulista, deixando um legado de filmes premiados e uma militĂąncia incansĂĄvel pela cultura do paĂs. Dar seu nome Ă proposta Ă© mais do que uma homenagem â Ă© um lembrete do que estĂĄ em jogo.
Agora, resta saber se o Congresso vai de fato regulamentar o setor com um olhar voltado Ă valorização da produção nacional, ou se a âLei Toni Venturiâ corre o risco de virar apenas mais um nome bonito para uma batalha ainda sem fim.