
O fim de um símbolo da barbárie: queda de “El Mencho” expõe a crueldade do cartel mais violento do México
Morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração escancara o rastro de terror deixado pelo narcotráfico e a força destrutiva de uma organização que fez da violência seu método
A morte de Nemesio Oseguera, o temido “El Mencho”, encerra a trajetória de um dos nomes mais brutais da história recente do crime organizado no México. Fundador e chefe do Cartel Jalisco Nova Geração, ele foi morto no domingo em uma operação do Exército mexicano após confronto na região de Tapalpa, no estado de Jalisco. Ferido durante a troca de tiros, acabou morrendo enquanto era levado de helicóptero para a Cidade do México.
A eliminação de “El Mencho” representa mais do que a queda de um criminoso: simboliza o enfrentamento direto a uma figura responsável por anos de violência extrema, tráfico de drogas em escala internacional e terror imposto a comunidades inteiras. Procurado havia décadas, ele era alvo de uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos, tamanha era sua importância para o narcotráfico global.
Mesmo morto, o legado de destruição do traficante continuou a se manifestar. Em um ato claro de intimidação e vingança, células do cartel reagiram com bloqueios de estradas, incêndios de veículos, ataques a comércios e confrontos armados em vários estados mexicanos. A resposta violenta escancarou o poder de mobilização do grupo e o quanto sua estrutura criminosa se infiltrou no cotidiano do país.
Criado em 2009, o CJNG cresceu explorando o tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil, além de diversificar seus crimes com extorsões, roubo de combustível e tráfico de pessoas — práticas denunciadas repetidamente pela DEA. Sempre disposto a desafiar o Estado, o cartel transformou a violência em espetáculo, divulgando imagens de homens fortemente armados e veículos blindados, numa tentativa deliberada de impor medo.
Sob a liderança de “El Mencho”, o grupo também esteve ligado a atentados contra autoridades, como o ataque de 2020 contra Omar García Harfuch, além de assassinatos políticos que marcaram a escalada de terror promovida pela facção.
Especialistas apontam que Oseguera se consolidou como um “chefão à moda antiga”, comparável a nomes como Joaquín Guzmán e Ismael Zambada, ambos presos. A diferença é que “El Mencho” não deixou um sucessor claro. Seu filho, conhecido como “El Menchito”, já cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos, o que abre espaço para disputas internas e possíveis novas ondas de violência.
A morte do líder do CJNG não apaga o sofrimento causado por sua atuação, nem ressuscita as vítimas de seu império criminoso. Mas representa um marco simbólico: a queda de um homem que fez do tráfico um projeto de poder e da brutalidade um instrumento de dominação. O repúdio à sua história é também um alerta sobre a urgência de enfraquecer estruturas que, como a que ele criou, prosperam à custa do medo, da morte e da destruição social.
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