O governo do “corte nunca”: quando gastar é virtude e responsabilidade é castigo R$ 150 bilhões

O governo do “corte nunca”: quando gastar é virtude e responsabilidade é castigo R$ 150 bilhões

Enquanto o país se afoga em dívidas e exceções fiscais ultrapassam os R$ 150 bilhões, o governo prefere ampliar gastos, driblar regras e fingir que equilíbrio fiscal é opcional.

No Brasil de hoje, “cortar gastos” virou palavrão. O governo de Lula fala em arcabouço fiscal, meta primária, responsabilidade e equilíbrio das contas — mas, na prática, o que vemos é um manual de criatividade para gastar cada vez mais e chamar isso de política social.

As exceções à meta fiscal já somam mais de R$ 150 bilhões, e novas brechas continuam sendo abertas no Congresso com o apoio do próprio Planalto. Projetos que retiram despesas do limite de gastos brotam como erva daninha, sempre com justificativas “nobres”: Defesa Nacional, reconstrução de estados, socorro a empresas, precatórios… sempre há um motivo “extraordinário” para abrir mais o cofre.

A regra é simples: se a conta não fecha, muda-se a conta.
O arcabouço fiscal, vendido em 2023 como o “novo marco da responsabilidade”, virou uma colcha de exceções costurada com retalhos políticos. O resultado? Um rombo crescente, enquanto o governo insiste que está tudo sob controle.

De acordo com o Instituto Fiscal Independente do Senado, as manobras para excluir gastos da meta já alcançam R$ 157 bilhões — o equivalente a um ano inteiro do Bolsa Família. Ou seja, o Brasil está literalmente gastando como se não houvesse amanhã, sem garantir o mínimo de sustentabilidade para depois de amanhã.

O ministro Fernando Haddad tenta posar de guardião das finanças, mas cada semana o governo inventa um novo “gasto fora do limite”. As dívidas judiciais, a tragédia no Rio Grande do Sul, as obras do PAC, as estatais… tudo vira exceção. E quando tudo é exceção, a regra deixa de existir.

Enquanto isso, o discurso é o de sempre: “o povo precisa”, “o país está retomando o crescimento”, “o gasto é investimento”. Palavras bonitas que escondem uma verdade incômoda: o governo nunca fala em cortar, apenas em gastar mais — como se dinheiro público fosse infinito e o contribuinte, uma fonte inesgotável.

No fim, o Brasil segue a velha máxima: o Estado engorda, a dívida cresce, o contribuinte paga — e o governo posa de herói social. Um heroísmo que custa caro e empurra o país, mais uma vez, para o buraco fiscal que nunca se fecha.

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