
Trump abre a porta para aliviar tarifas contra o Brasil — mas “só nas circunstâncias certas”
Durante voo rumo à Ásia, presidente dos EUA sinaliza disposição para negociar com Lula sobre o tarifaço que abalou as relações entre Washington e Brasília.
Em mais um capítulo da tensa novela comercial entre Estados Unidos e Brasil, Donald Trump declarou estar aberto a reduzir as tarifas impostas a produtos brasileiros, desde que — nas palavras dele — “as circunstâncias certas” estejam postas na mesa.
O comentário foi feito a bordo do Air Force One, enquanto o presidente americano viajava para a Malásia, onde participará da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). É lá que, segundo fontes diplomáticas, poderá ocorrer o tão esperado encontro com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Trump, que nas últimas semanas vinha endurecendo o tom contra o Brasil, admitiu que a reunião com Lula deve acontecer.
“Nós nos encontramos brevemente na Assembleia Geral da ONU. Agora, talvez seja hora de uma conversa mais longa”, disse o republicano a jornalistas.
Questionado sobre a possibilidade de rever o pacote tarifário, respondeu com o habitual jogo de cena:
“Sim, estou aberto a isso… diante das circunstâncias certas.”
Poucas horas depois, Lula respondeu em tom diplomático, afirmando estar “otimista” e disposto a “colocar os problemas na mesa” para buscar uma solução.
“Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda. Vamos conversar e encontrar um caminho”, declarou o presidente brasileiro, confiante de que “vai ter uma solução”.
Um encontro cercado de tensão
Se a reunião for confirmada, será o primeiro encontro formal entre Lula e Trump desde que os EUA impuseram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que azedou as relações entre os dois países.
Além disso, Washington abriu uma investigação por supostas práticas comerciais desleais do Brasil e chegou a impor sanções financeiras e restrições de visto a autoridades brasileiras, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa — gesto que ampliou o mal-estar diplomático.
Discurso duro, pragmatismo nos bastidores
Apesar do clima de incerteza, especialistas acreditam que há espaço para diálogo pragmático. A recente conversa telefônica entre os dois presidentes e o encontro dos chanceleres em Washington indicam uma tentativa de distensionar a relação.
Ainda assim, Trump manteve o discurso de que as tarifas foram “um presente aos pecuaristas americanos”, enquanto Lula segue defendendo a criação de alternativas ao dólar nas relações comerciais — uma ideia que o republicano enxerga com desconfiança.
Como em um jogo de xadrez geopolítico, cada um move suas peças com cautela: Trump promete aliviar, mas sem ceder; Lula sorri, mas não entrega o jogo. O resultado, ao que tudo indica, virá no domingo, às margens da cúpula da Asean — e poderá redefinir os próximos passos da relação entre os dois países.