
O juiz que já tentou soltar Lula agora condena Bolsonaro
Rogério Favreto, ex-filiado ao PT e nomeado por Dilma, votou por indenização milionária contra o ex-presidente
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu nesta terça-feira (16) condenar Jair Bolsonaro a pagar R$ 1 milhão por falas consideradas racistas contra um apoiador negro em 2021. A ação foi movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que entenderam que o comentário do ex-presidente sobre o cabelo “black power” configurou dano moral coletivo.
O relator da decisão foi o desembargador Rogério Favreto, que apontou que “falas jocosas ou em tom de brincadeira podem reforçar estigmas e discriminação”. O voto dele levou a 3ª Turma do TRF-4, em Porto Alegre, a aplicar a condenação milionária.
Favreto, no entanto, não é um nome qualquer. Ex-filiado ao PT até 2010, ele foi indicado ao tribunal pela ex-presidente Dilma Rousseff e ficou conhecido em 2018 por ter determinado, durante um plantão, a soltura imediata de Lula — decisão que gerou forte embate interno no próprio TRF-4 e acabou sendo derrubada horas depois.
Na época, sua ordem foi tão urgente que exigia a liberação do petista “em até uma hora”, sob risco de responsabilização das autoridades que descumprissem a determinação.
Agora, sete anos depois, Favreto volta a protagonizar manchetes, desta vez por ser o relator da condenação contra Bolsonaro, em mais um capítulo que une política, tribunais e as marcas profundas da polarização brasileira.