
O mar como trincheira: pescadores venezuelanos partem em defesa de Maduro
Em meio à tensão com os EUA, dezenas de embarcações civis se unem às forças bolivarianas em demonstração de lealdade
Num gesto que mistura simbolismo e resistência, pescadores venezuelanos zarparam em seus barcos para declarar apoio aberto a Nicolás Maduro. A mobilização, realizada no estado de Sucre, transformou o mar em palco político: pequenas embarcações se juntaram à Milícia Bolivariana dentro do chamado Plano Nacional de Soberania e Paz Simón Bolívar.
O ato acontece em resposta às recentes movimentações militares dos Estados Unidos no Caribe, classificadas pelo governo de Caracas como uma “agressão psicológica”. Imagens divulgadas mostram dezenas de barcos com bandeiras tricolores navegando lado a lado com membros das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), numa encenação de unidade frente a um inimigo externo.
Para o governo, a mobilização é também uma forma de rebater as acusações americanas de vínculos entre líderes chavistas e o narcotráfico, narrativa que, segundo Caracas, serviria de pretexto para justificar uma intervenção armada.
A iniciativa dos pescadores ocorre no mesmo dia em que milhares de cidadãos participaram de um alistamento militar nacional, reforçando o discurso oficial de que “todo o povo” estaria pronto para defender a soberania venezuelana.
Entre sanções econômicas, acusações internacionais e ameaças de incursões estrangeiras, o mar da Venezuela virou trincheira improvisada. Barcos de madeira e redes de pesca, agora, foram transformados em símbolos de resistência contra a pressão dos Estados Unidos.