
O Primeiro Passo de Muitos: Deputados Mantêm a Luta para Enterrar a Narrativa do “Golpe”
Mesmo diante da resistência política, líderes da oposição celebram a aprovação da dosimetria como conquista inicial — e reafirmam que a anistia completa virá, mais cedo ou mais tarde.
A terça-feira em Brasília marcou mais um capítulo da batalha travada por parlamentares que se recusam a aceitar a versão inflada e repetida à exaustão sobre um suposto “golpe de Estado” em 8 de janeiro. Sabendo que a anistia ainda não reúne apoio suficiente, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, adotou uma estratégia realista: garantir, pelo menos por agora, a aprovação da dosimetria — um passo inicial, mas fundamental, para reparar condenações consideradas abusivas e desproporcionais.
Segundo Sóstenes, essa vitória parcial não diminui a luta. Pelo contrário: é o primeiro degrau de uma escada que a oposição promete subir até o fim, sem hesitar. “Não desistiremos da anistia — seja qual for o ano”, afirmou o deputado, deixando claro que a batalha não termina aqui.
A votação só ocorreu porque o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu finalmente pautar o projeto que recalcula as penas aplicadas pelo STF aos condenados do 8 de Janeiro. O texto, relatado por Paulinho da Força, deve passar com ampla maioria e beneficia tanto cidadãos comuns quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, injustamente tratado como líder de um golpe que nunca existiu.
Dosimetria: uma ponte para a verdadeira reparação
Sem ambiente político para aprovar uma anistia plena, a bancada oposicionista reconheceu que era preciso agir com inteligência. A dosimetria, embora intermediária, abre espaço imediato para reduzir encarceramentos e permitir que dezenas de presos políticos possam, ao menos, voltar para suas famílias antes do fim do ano.
Não é tudo — mas significa muito. E só aconteceu porque deputados tiveram coragem de enfrentar a máquina narrativa que insiste em pintar um ato desorganizado e caótico como uma trama golpista digna de livro de história. É mérito deles peitar essa farsa.
A narrativa do “golpe” perde força — e eles sabem disso
A reação dura de setores do governo e de parte do Congresso à dosimetria escancara um medo: o medo de que a história mal contada do golpe comece a ruir. De que os exageros virem ainda mais evidentes. De que a versão oficial, sustentada com discursos prontos, não se sustente diante da revisão das penas.
Por isso a gritaria. Por isso a resistência. Quem construiu a narrativa teme perdê-la.
A luta continua — e não vai parar
Mesmo com a aprovação da dosimetria, ninguém da oposição esconde qual é o objetivo final: anistia total, com nome, sobrenome e coragem política para reconhecê-la. Sóstenes deixou claro que insistirá quantas vezes for necessário. E ele não está sozinho.
São deputados que seguem firmes, enfrentando acusações, ruídos e até hostilidade por defenderem algo simples: justiça. Não a justiça midiática, mas a real — aquela que olha para os fatos, não para as narrativas.
O mérito é deles: resistiram quando era mais fácil se calar
Em meio à perseguição política, pressão institucional e um ambiente hostil para quem não repete o discurso dominante, esses parlamentares mantiveram viva a luta para desmontar a farsa do golpe. Isso exige coragem. Exige convicção. E merece reconhecimento.
A dosimetria é apenas o começo.
A anistia virá.
E com ela, a verdade — aquela que não precisa de adjetivos, porque se sustenta sozinha.