
OMS Monitora Casos de Hantavírus em Cruzeiro e Afirma que Risco Global Continua Baixo
Surto registrado no navio MV Hondius já soma 11 casos e três mortes, mas Organização Mundial da Saúde descarta, por enquanto, uma disseminação maior da doença
A Organização Mundial da Saúde confirmou que o surto de hantavírus identificado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius já contabiliza 11 casos confirmados e três mortes. Apesar da preocupação internacional, a entidade afirmou que, até o momento, não existem sinais de uma propagação global da doença.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a situação segue sob controle, embora autoridades sanitárias continuem monitorando passageiros e tripulantes que tiveram contato com o vírus.
Segundo Tedros, o longo período de incubação da doença ainda pode levar ao aparecimento de novos casos nas próximas semanas.
Casos aconteceram durante viagem pelo Atlântico
O surto foi identificado durante uma expedição do navio MV Hondius, que saiu de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde e posteriormente seguiria para os Países Baixos.
Entre as vítimas fatais estão um casal holandês e um passageiro alemão. Todos foram infectados pela cepa Andes do hantavírus, considerada a única variante conhecida com potencial de transmissão entre humanos em situações específicas de contato próximo.
Além das mortes confirmadas, outros passageiros apresentaram sintomas respiratórios e febre durante a viagem. Um dos casos mais recentes foi registrado na Espanha, onde uma passageira espanhola precisou permanecer em observação após testar positivo durante o período de quarentena em Madri.
As autoridades espanholas informaram que o quadro clínico da paciente permanece estável.
OMS reforça vigilância e monitoramento internacional
A OMS recomendou que todos os passageiros e profissionais que estiveram no navio permaneçam sob observação médica por pelo menos 42 dias após a última exposição ao vírus.
Os países que receberam passageiros repatriados também foram orientados a reforçar o rastreamento de contatos e a vigilância epidemiológica.
Na Holanda, profissionais de saúde foram colocados em quarentena preventiva após contato com fluidos corporais de um paciente infectado sem utilização completa de equipamentos de proteção.
Mesmo assim, especialistas afirmam que o risco de transmissão em larga escala continua considerado baixo.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores infectados. A contaminação geralmente ocorre pela inalação de partículas presentes no ar em ambientes contaminados.
Os sintomas iniciais incluem:
- Febre
- Dor muscular
- Cansaço intenso
- Tosse
- Dificuldade para respirar
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e complicações cardiopulmonares severas.
Brasil já registrou mais de 2 mil casos
No Brasil, o primeiro registro oficial de hantavírus ocorreu em 1993. Desde então, o Ministério da Saúde contabilizou mais de 2.400 casos da doença e centenas de mortes.
As regiões com maior incidência costumam envolver áreas rurais e locais com presença de roedores silvestres.
Apesar da preocupação causada pelo surto no navio, autoridades brasileiras afirmam que não há relação direta entre os casos internacionais e registros recentes no país.
Especialistas pedem atenção, mas sem pânico
A repercussão internacional do caso chamou atenção por envolver uma cepa rara do vírus e pela possibilidade limitada de transmissão entre pessoas. Ainda assim, infectologistas ressaltam que o hantavírus não apresenta o mesmo potencial de disseminação observado em pandemias respiratórias recentes.
A própria OMS reforçou que o cenário atual exige monitoramento e cautela, mas não há evidências de um surto global em andamento.
O caso do MV Hondius também reacendeu debates sobre protocolos sanitários em viagens internacionais e sobre a importância da vigilância epidemiológica em ambientes fechados, como navios de cruzeiro e expedições marítimas.