
Oposição acusa STF de autoritarismo e anuncia ofensiva por anistia de presos do 8 de janeiro
Líder do PL diz que Brasil vive sob “ditadura da toga” e convoca mobilização nacional em defesa de Bolsonaro e contra o Supremo
O clima esquentou no Congresso nesta segunda-feira (21/7). Em entrevista coletiva na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição, declarou que o Brasil está vivendo uma “democracia muito relativa” e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de instaurar uma “ditadura da toga”. Ao lado de outros parlamentares, ele anunciou uma agenda de mobilização em defesa da anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro e em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A entrevista foi convocada após uma reunião emergencial da bancada do PL com participação do próprio Bolsonaro — que, no entanto, não falou com a imprensa. Segundo Sóstenes, o ex-presidente se ausentou da coletiva por recomendação de seus advogados, em razão das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de conceder entrevistas.
“Mais uma vez, por uma ordem de censura do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi orientado a permanecer em silêncio. Isso mostra o tipo de democracia que estamos vivendo”, disse Sóstenes.
Segundo o parlamentar, o encontro contou com a presença de mais de 50 deputados e dois senadores, que interromperam o recesso para discutir o que chamam de grave crise institucional. Participaram representantes de partidos como PL, Republicanos, PP, União Brasil, Novo e até do PSB.
A reunião resultou na criação de três comissões internas:
- Uma para alinhar a comunicação oficial da oposição, liderada por Gustavo Gayer (PL-GO);
- Outra voltada para a articulação política dentro do Congresso, coordenada por Cabo Gilberto (PL-PB);
- E uma terceira para mobilização externa, com a militância bolsonarista.
As comissões terão reuniões diárias no fim da tarde, para planejar ações e estratégias nas redes e nas ruas.
Além das críticas ao STF, Sóstenes também disparou contra o governo Lula, responsabilizando o presidente pela escalada de tensão com os Estados Unidos e pelas sanções econômicas que atingem Bolsonaro. Para o deputado, Lula tem provocado os norte-americanos e, em vez de buscar diálogo diplomático, estaria “fazendo piada” enquanto a crise se agrava.
“O presidente deveria estar resolvendo os problemas com os EUA, mas prefere tirar sarro, comer jabuticaba e tirar foto com ditadores latino-americanos”, ironizou.
Durante o evento, alguns deputados se enrolaram na bandeira do Brasil — um gesto que, segundo Sóstenes, foi um presente de Bolsonaro. Ele relatou ainda que o ex-presidente ficou visivelmente emocionado ao falar sobre o uso da tornozeleira e a proibição de falar até com o próprio filho.
“É de cortar o coração. Um homem honrado, com uma tornozeleira no pé, e impedido de conversar com o filho. Isso nem na Inquisição acontecia”, lamentou.
Ao fim da coletiva, Sóstenes afirmou que a anistia aos presos do 8 de janeiro será prioridade absoluta da oposição no segundo semestre. Também será retomada a pressão pela aprovação da PEC 333, que altera as regras do foro privilegiado. O deputado acusou o STF de perseguição e defendeu o fim do que considera abusos da Corte.
“Temos mais de 60 parlamentares sendo processados pelo Supremo. Isso não é democracia. Isso precisa acabar”, declarou.