
Oposição alcança assinaturas para investigar Banco Master, mas CPI esbarra em decisão política
Comissão já tem apoio mínimo, porém criação depende de aval de Davi Alcolumbre no Congresso
Parlamentares da oposição afirmam ter conseguido o número necessário de assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de apurar possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. O pedido foi protocolado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e prevê uma comissão formada por 15 deputados e 15 senadores, além de suplentes, com prazo de funcionamento de até 180 dias.
Apesar do apoio formal já estar garantido, a CPMI ainda não saiu do papel. Isso porque a instalação da comissão depende da leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, um ato que cabe exclusivamente ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Pelo regimento, ele não é obrigado a fazer essa leitura imediatamente — o que transforma a abertura da CPI em uma decisão essencialmente política.
Suspeitas bilionárias e risco ao dinheiro público
No texto do requerimento, os parlamentares apontam indícios de fraudes financeiras que podem ultrapassar R$ 12,2 bilhões. Entre as suspeitas estão a criação de fundos e ativos que não existiriam de fato, falsificação de contratos e manobras contábeis para mascarar prejuízos.
O documento também cita uma tentativa de repassar passivos do banco para o Banco Regional de Brasília (BRB), instituição estatal. Para os autores do pedido, essa operação poderia representar grave risco ao patrimônio público e provocar instabilidade no sistema financeiro.
Clientes à espera e pressão crescente
A iniciativa surge em meio ao agravamento da crise do Banco Master. Dados do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) mostram que, dos cerca de 800 mil clientes com valores protegidos, mais de 569 mil já solicitaram ressarcimento. O número cresce rapidamente, enquanto os pagamentos avançam de forma lenta, atribuída à complexidade das irregularidades apuradas.
Judiciário também no centro da tensão
O caso ganhou repercussão no Judiciário. As investigações estão sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal, cuja condução tem provocado desconforto tanto entre ministros da Corte quanto dentro da Polícia Federal.
Nos bastidores do STF, há avaliações de que decisões recentes extrapolam o padrão tradicional do tribunal em investigações ainda preliminares, aumentando a exposição institucional do Supremo em um processo de grande impacto político e econômico.
Duas frentes de investigação no Congresso
Além da CPMI, tramita no Senado um pedido de CPI exclusiva, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que também já reuniu as assinaturas necessárias. As duas iniciativas seguem caminhos distintos: enquanto a CPI do Senado pode ser instalada por decisão interna da Casa, a CPMI depende da convocação de sessão conjunta do Congresso Nacional.
Agora, com assinaturas em mãos e pressão crescente da sociedade, a pergunta que fica é: o Congresso vai avançar na investigação ou o caso ficará travado por conveniência política?