Paulinho da Força pede impeachment de Mendonça, Nunes Marques e Fux, mas não inclui Moraes

Paulinho da Força pede impeachment de Mendonça, Nunes Marques e Fux, mas não inclui Moraes

Presidente do Solidariedade levou ao Senado pedidos contra três ministros do STF e, ao mesmo tempo, havia acionado Flávio Dino para afastar Mendonça e Nunes Marques de processos eleitorais

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) protocolou no Senado pedidos de impeachment contra os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). As representações, apresentadas em 29 de setembro, atribuem aos magistrados supostos crimes de responsabilidade e citam, entre outros assuntos, elementos relacionados ao caso Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A iniciativa ocorre em meio a uma disputa aberta entre ministros do STF e a uma sequência de decisões envolvendo o Banco Master, eleições e a atuação de integrantes da Corte. Paulinho também havia recorrido ao ministro Flávio Dino para pedir o afastamento de Nunes Marques e Mendonça de processos relacionados à propaganda eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O pedido contra Mendonça

Na representação contra André Mendonça, Paulinho sustenta que o ministro teria atuado de maneira parcial e com direcionamento político-eleitoral. O deputado relaciona a acusação a decisões e episódios ligados às investigações envolvendo o Banco Master.

O documento também menciona o Instituto Iter, entidade criada por Mendonça, além de uma reunião que o próprio ministro confirmou ter mantido com Vorcaro para tratar de precatórios relacionados ao banco.

As acusações fazem parte da argumentação apresentada por Paulinho ao Senado e ainda precisam ser analisadas dentro do procedimento previsto para denúncias contra ministros do STF.

Nunes Marques e as acusações envolvendo o entorno do ministro

No caso de Kassio Nunes Marques, a representação concentra-se em alegações relacionadas ao chamado entorno do ministro e aos contatos com pessoas ligadas a Vorcaro.

Paulinho menciona informações sobre hospedagens, eventos e outros benefícios que teriam sido custeados pelo banqueiro. A peça também cita Kevin Marques, filho do ministro e advogado, além de uma alegação de pagamento de R$ 500 mil.

Esses elementos aparecem como alegações na representação parlamentar e não equivalem, por si só, a uma conclusão judicial sobre a existência de crime.

Fux é questionado por suposto conflito de interesses

Em relação a Luiz Fux, Paulinho afirma que o ministro deveria se declarar impedido ou suspeito em questões relacionadas ao Banco Master.

A representação cita mensagens envolvendo Rodrigo Fux, filho do ministro, e pessoas ligadas a Vorcaro. O deputado utiliza esses registros para sustentar sua tese de possível conflito de interesses.

Novamente, trata-se da argumentação apresentada pelo parlamentar. A existência de contatos entre advogados, empresários ou familiares de autoridades não estabelece automaticamente uma irregularidade, sendo necessário verificar o conteúdo, a finalidade e eventual consequência de cada interação.

E Alexandre de Moraes?

Um dos pontos que chama atenção no episódio é que Paulinho da Força apresentou pedidos contra Mendonça, Nunes Marques e Fux, mas não protocolou pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

A ausência de Moraes é especialmente relevante porque o próprio Paulinho mantém relação política conhecida com o ministro e já teve interlocução direta com ele em assuntos que chegaram ao STF. Reportagens recentes também registram que o deputado esteve envolvido em articulações relacionadas ao projeto de redução de penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Ao mesmo tempo, Moraes aparece no centro da atual crise interna do STF. O ministro entrou em confronto institucional com André Mendonça em torno de investigações relacionadas ao Banco Master, enquanto Mendonça adotou medidas que atingiram questões envolvendo Moraes.

É justamente nesse contexto que a escolha dos três alvos dos pedidos de impeachment passou a ser questionada politicamente por diferentes setores: os pedidos atingem ministros que, segundo reportagens, estão em uma posição de maior oposição às decisões de Moraes dentro da atual disputa da Corte.

Isso, entretanto, não permite concluir automaticamente que os pedidos tenham sido apresentados exclusivamente por essa razão. A motivação efetiva precisa ser atribuída ao próprio parlamentar e analisada a partir do conteúdo das representações.

O Senado é quem decide

Pedidos de impeachment contra ministros do STF são apresentados ao Senado Federal, que possui competência constitucional para processar e julgar ministros por crimes de responsabilidade.

A apresentação da denúncia não significa abertura automática de processo nem comprovação das acusações. As representações precisam passar pelas etapas previstas na legislação, e uma eventual condenação depende de votação no Senado. Segundo o Poder360, são necessários dois terços dos senadores para a condenação.

Uma disputa que expõe a divisão no STF

O episódio ocorre em um momento de forte tensão entre ministros do Supremo e do TSE. Nunes Marques ocupa a presidência do TSE e Mendonça a vice-presidência, enquanto ambos passaram a protagonizar decisões relacionadas à propaganda eleitoral de 2026.

Paulinho, portanto, atua simultaneamente em duas frentes: questiona no Senado a permanência de três ministros do STF e pede, no próprio Supremo, o afastamento de Nunes Marques e Mendonça de determinadas ações eleitorais.

O contraste político está no fato de que Alexandre de Moraes, também envolvido nos conflitos recentes da Corte e alvo de questionamentos públicos no contexto do caso Master, não foi incluído entre os ministros contra os quais Paulinho apresentou pedido de impeachment.

Para o debate público, a questão central passa a ser distinguir as acusações concretas apresentadas em cada representação da motivação política atribuída aos atos do parlamentar. A ausência de Moraes na lista pode alimentar críticas e questionamentos sobre coerência e seletividade, mas não constitui, isoladamente, prova de que os pedidos tenham sido feitos para beneficiar ou proteger qualquer ministro.

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