
Paulinho da Força reage a Lula e promete atuar contra veto à Dosimetria
Relator afirma que decisão do Planalto ignora o Congresso e reacende conflitos políticos
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do Projeto de Lei da Dosimetria, criticou duramente o veto integral imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à proposta que revisava as penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. O veto foi assinado de forma simbólica durante a cerimônia que marcou os três anos do episódio, o que, segundo o parlamentar, ampliou ainda mais o desgaste político.
Para Paulinho, o projeto representava um gesto de pacificação institucional e havia sido construído a partir de amplo debate no Congresso Nacional. Na avaliação dele, ao barrar o texto, Lula desconsiderou o esforço coletivo do Parlamento e optou pelo confronto em vez do diálogo. “Era uma tentativa de virar a página e reduzir tensões. O veto faz exatamente o contrário”, afirmou em nota.
O deputado reforçou que a proposta não tinha caráter de anistia, mas buscava corrigir excessos na aplicação das penas, garantindo proporcionalidade e segurança jurídica. Segundo ele, a dosimetria tratava de critérios técnicos e legais, não de absolvição. Paulinho também destacou que, após a aprovação do projeto na Câmara, o governo dos Estados Unidos chegou a citar a iniciativa como um dos fatores para a retirada de sanções contra o Brasil, o que, para ele, demonstra a relevância internacional do tema.
Com o veto presidencial, o texto retorna agora ao Congresso Nacional. Paulinho da Força afirmou que já trabalha para articular uma sessão conjunta de deputados e senadores com o objetivo de derrubar a decisão do Planalto. A oposição pretende pressionar o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que a votação seja convocada o quanto antes, apostando no clima de insatisfação entre parlamentares.
Do lado do governo, líderes da base aliada tentam conter a reação e reverter votos favoráveis à redução das penas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a manutenção do veto é viável e classificou a disputa como uma “tarefa possível”.
Enquanto isso, o tema da dosimetria segue no centro do embate político em Brasília, simbolizando mais um capítulo da tensão entre Executivo e Legislativo.