Gleisi insiste em manter veto de Lula e amplia desgaste com o Congresso

Gleisi insiste em manter veto de Lula e amplia desgaste com o Congresso

Ministra reforça discurso ideológico e ignora críticas ao veto que trava revisão das penas do 8 de Janeiro

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a defender publicamente a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria, que previa a revisão das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A postura da ministra, no entanto, foi recebida com forte repúdio por parlamentares da oposição, que enxergam na fala mais um sinal de radicalização e desprezo pelo diálogo institucional.

Durante conversa com jornalistas após a cerimônia que marcou os três anos do 8 de Janeiro, Gleisi afirmou que o governo atuará para impedir a derrubada do veto no Congresso. Mesmo reconhecendo que a correlação de forças no Parlamento é desfavorável, ela deixou claro que o Planalto não pretende recuar. “Vamos conversar, pressionar e insistir. Não vamos desistir facilmente”, declarou.

O PL da Dosimetria havia sido aprovado no fim de dezembro, pouco antes do recesso parlamentar, como resultado de negociações entre diferentes partidos. A proposta buscava ajustar critérios de aplicação das penas, apontados por juristas e parlamentares como desproporcionais em diversos casos. Ainda assim, o governo optou pelo veto total, anunciado de forma simbólica durante o evento oficial no Planalto.

A reação de Gleisi foi vista por críticos como arrogante e desconectada da realidade política. Para oposicionistas, a ministra age como porta-voz de um governo que prefere o confronto à construção de consensos, tratando o Congresso como um obstáculo e não como um Poder autônomo. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, classificou a decisão como movida por ressentimento ideológico, enquanto Paulinho da Força, relator do projeto, afirmou que o veto “rasga” uma construção coletiva do Legislativo.

Com o veto em vigor, caberá agora a deputados e senadores decidir se mantêm ou derrubam a decisão presidencial. O embate promete se intensificar nas próximas semanas, com a oposição acusando o governo — e especialmente Gleisi Hoffmann — de atuar mais por revanchismo político do que por compromisso com justiça, equilíbrio institucional e respeito ao Parlamento.

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