PCC cruza a fronteira: Argentina descobre 28 membros e rituais da facção dentro de prisões

PCC cruza a fronteira: Argentina descobre 28 membros e rituais da facção dentro de prisões

Cerimônias de “batismo” e até números de matrícula foram encontrados no sistema carcerário argentino, reproduzindo fielmente o modelo do crime organizado paulista.

O alerta acendeu na Argentina. Uma investigação da Polícia Federal do país identificou 28 pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) atuando em território argentino. Oito já estão presas; as demais seguem sob investigação ou enfrentam processos para expulsão ou extradição.

A revelação foi feita pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, ao lado do novo diretor do Departamento Federal de Investigação, Pascual Mario Bellizzi. Segundo eles, as autoridades descobriram rituais típicos do PCC dentro de presídios argentinos — incluindo cerimônias de iniciação e “batismos” em que novos membros recebem até número de matrícula, copiando o método usado no Brasil para consolidar a hierarquia criminosa.

Entre os investigados estão nomes conhecidos no submundo do crime, como Jorge Adalid Granier, ligado a gangues da região de Rosário; Diego Dirisio, acusado de fornecer armas da Europa; e Emanuel “Liba” Dos Santos, já extraditado para o Brasil. Também aparece Sebastián Marset, apontado como articulador de um esquema internacional de tráfico de cocaína.

Bellizzi foi direto: “O PCC quer expandir pela América. Nossa missão é impedir, a todo custo, que eles se fixem aqui”. Ele reforçou que, embora o número de integrantes ainda não seja expressivo no país, o monitoramento será constante para evitar que a facção crie raízes.

A ofensiva argentina já rendeu prisões importantes. Na última semana, em Buenos Aires, foi capturado Fábio Rosa Carvalho, o “Fábio Nóia” — um dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Sul e integrante da facção Os Manos, aliada do PCC. Foragido desde 2023, ele havia rompido a tornozeleira eletrônica e estava na lista vermelha da Interpol.

Para o delegado João Paulo Abreu, do Deic gaúcho, Carvalho era peça-chave na logística de envio de drogas para o Brasil, com forte atuação no Sul e Sudeste. Sua prisão, afirma, é um passo importante no combate ao crime organizado transnacional.

O recado da Argentina é claro: o país não pretende ser palco para que o PCC replique, fora do Brasil, o poder que construiu dentro e fora das cadeias brasileiras.

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