
Gilmar Mendes fecha fileiras com Moraes e rebate sanções dos EUA: “Isso é afronta à soberania”
Ministro do STF defende colega após prisão domiciliar de Bolsonaro e critica duramente sanções impostas por Washington contra Alexandre de Moraes.
Em meio ao turbilhão político que tomou conta de Brasília, o ministro Gilmar Mendes saiu publicamente em defesa de Alexandre de Moraes, após a polêmica decisão que colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Questionado nesta quarta-feira (6) sobre eventuais desconfortos dentro do STF, Gilmar foi direto:
“Nenhum desconforto. Alexandre tem a nossa total confiança e apoio.”
A declaração foi feita durante um evento sobre a indústria farmacêutica promovido pela Esfera Brasil e pela EMS.
A fala acontece num momento em que aliados de Bolsonaro intensificam críticas a Moraes, acusando-o de extrapolar ao determinar a prisão domiciliar. A decisão foi motivada pelo descumprimento de medidas cautelares: Bolsonaro apareceu em vídeos durante manifestações no último domingo (3), mesmo proibido de usar redes sociais — de forma direta ou indireta.
Sanções dos EUA e recado sobre soberania
Gilmar também reagiu à aplicação da chamada Lei Magnitsky contra Moraes — medida assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que restringe suas transações financeiras com instituições americanas. Para ele, a atitude é uma tentativa inaceitável de ingerência estrangeira nas decisões do Judiciário brasileiro.
“Seria impensável que exigíssemos mudanças na Suprema Corte americana para fechar acordos comerciais. O mesmo vale para o Brasil”, disparou.
O ministro reforçou que medidas como essa afetam diretamente a soberania nacional e precisam ser rechaçadas por países que se prezam.
Guerra tarifária e críticas a pressões políticas
Gilmar também comentou sobre a nova tarifa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, em vigor desde hoje. Ele disse que disputas comerciais fazem parte do jogo internacional, mas precisam seguir o caminho institucional, como o da OMC (Organização Mundial do Comércio).
“Guerras tarifárias são normais. O que não é aceitável é usar tarifas para forçar mudanças políticas. Isso não é comércio, é coerção.”
Para o ministro, o Brasil deve reagir com firmeza para preservar sua autonomia diante de pressões externas, sejam elas econômicas ou políticas.