
Perseguição sem fim: Moraes vê “direcionamento político” onde só ele enxerga
Relator volta a usar discurso duro no julgamento do núcleo 2 e reforça a sensação de que o STF já tem roteiro pronto
O julgamento do chamado “núcleo 2” da suposta trama golpista avançou nesta terça-feira, mas a sensação é de que o resultado já estava escrito antes mesmo da primeira fala. Mais uma vez, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, adotou um tom categórico — quase definitivo — ao afirmar que “não há dúvida do direcionamento político” da atuação da ex-subsecretária de Segurança Pública do DF, Marília Alencar.
Segundo Moraes, Marília teria agido, ao lado do então ministro da Justiça Anderson Torres, para “tumultuar” o segundo turno das eleições de 2022, especialmente dificultando o voto de eleitores do Nordeste. A convicção do ministro foi apresentada sem rodeios, como se qualquer interpretação diferente fosse impossível — algo que críticos veem como mais um capítulo de uma perseguição que parece não ter freio nem contraditório real.
Durante o voto, Moraes citou mensagens e decisões administrativas como provas de um suposto plano político, questionando o papel da delegada da Polícia Federal e sugerindo que sua atuação extrapolou qualquer limite institucional. Para o ministro, não restam dúvidas. Para parte da opinião pública, porém, sobra a impressão de que a presunção de culpa virou regra quando o réu está no lado “errado” do espectro político.
Curiosamente, no mesmo julgamento, Moraes reconheceu “dúvida razoável” para absolver Fernando de Sousa Oliveira da acusação de interferência eleitoral — mostrando que o critério da certeza absoluta aparece e desaparece conforme o personagem analisado.
Enquanto a Primeira Turma ainda precisa concluir o julgamento, cresce a percepção de que o STF, sob a condução de Moraes, já não julga apenas fatos, mas intenções políticas presumidas. Para críticos, o discurso da defesa da democracia vem sendo usado como escudo para justificar decisões duras, unilaterais e, para muitos, claramente direcionadas.
No fim, a pergunta que ecoa fora dos autos é simples: trata-se de Justiça imparcial ou de mais um capítulo de uma perseguição que insiste em se apresentar como virtude institucional?