PF encontra R$ 450 mil escondidos sob sofá em operação contra suposto esquema de corrupção na saúde do Rio de Janeiro

PF encontra R$ 450 mil escondidos sob sofá em operação contra suposto esquema de corrupção na saúde do Rio de Janeiro

Investigação da Operação Anáfora mira suspeitos de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e desvio de recursos públicos; Washington Reis e Jane Reis estão entre os investigados

Uma operação da Polícia Federal revelou mais um episódio que chama atenção nas investigações sobre corrupção na área da saúde pública do Rio de Janeiro. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, agentes localizaram R$ 450 mil em dinheiro vivo escondidos debaixo de um sofá, dentro de uma empresa ligada ao principal investigado, em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A ação faz parte da segunda fase da Operação Anáfora, que aprofunda as investigações iniciadas em 2022 para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos milionários da saúde.

Além do dinheiro encontrado em espécie, a Polícia Federal cumpriu 14 mandados de busca e apreensão. Dez deles foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal, enquanto outros quatro partiram do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), devido ao foro privilegiado de parte dos investigados.

As diligências ocorreram em imóveis localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias.

Investigação aponta patrimônio incompatível com a renda

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação foi aberta após o aprofundamento das análises financeiras realizadas desde a primeira fase da operação.

Os investigadores afirmam ter identificado indícios de que integrantes do grupo mantinham bens registrados em nome de terceiros, realizavam despesas incompatíveis com a renda declarada e participavam de negociações envolvendo imóveis que podem ter sido utilizados para ocultar patrimônio.

Os investigados poderão responder por diversos crimes, entre eles:

  • Organização criminosa;
  • Fraude em licitações;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Desvio de recursos públicos.

Esquema teria movimentado contratos superiores a R$ 563 milhões

A primeira fase da Operação Anáfora, realizada em 2022, concentrou-se em contratos firmados pela Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias.

De acordo com a investigação, uma cooperativa de trabalho teria sido favorecida em contratos que, juntos, somam aproximadamente R$ 563,5 milhões.

Na ocasião, a Polícia Federal realizou buscas relacionadas ao então candidato a vice-governador do Rio de Janeiro e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB-RJ), que integrava a chapa do governador Cláudio Castro (PL).

Durante aquela operação também foram apreendidos:

  • um fuzil na residência de Washington Reis;
  • cerca de R$ 700 mil em dinheiro e cheques na casa do então secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias, José Carlos de Oliveira.

Washington Reis e Jane Reis aparecem entre os investigados

Segundo informações apuradas pela Record, um dos investigados nesta nova fase da operação é Washington Reis, atual presidente estadual do MDB no Rio de Janeiro.

Também é investigada Jane Reis, irmã do ex-prefeito, apontada pelos investigadores como uma das responsáveis pela movimentação financeira do suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Em nota publicada nas redes sociais, Washington Reis negou qualquer participação nas empresas alvo da operação.

O ex-prefeito afirmou que não possui ligação com nenhuma das empresas investigadas e declarou que sua irmã permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

PF investiga suposta organização criminosa na saúde pública

Conforme a Polícia Federal, as investigações apontam para uma organização criminosa estruturada que, há anos, atuaria desviando recursos públicos destinados principalmente à saúde no Estado do Rio de Janeiro.

A corporação suspeita que o grupo utilizava empresas, movimentações imobiliárias e patrimônio registrado em nome de terceiros para ocultar valores obtidos ilegalmente.

A apreensão dos R$ 450 mil escondidos sob um sofá passou a simbolizar mais um elemento das investigações, que seguem em andamento sob sigilo e ainda deverão passar pela análise da Justiça Federal.

Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas aos fatos investigados, e os envolvidos continuam tendo assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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