PF faz busca na casa do governador do Acre em investigação por corrupção e lavagem de dinheiro

PF faz busca na casa do governador do Acre em investigação por corrupção e lavagem de dinheiro

Gladson Cameli é alvo de apuração que envolve suspeitas de desvios milionários; governador diz estar tranquilo e fala em perseguição política

A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (5), uma operação de busca e apreensão na residência do governador do Acre, Gladson Cameli (PP). Durante a ação, agentes recolheram aparelhos eletrônicos e uma quantia em dinheiro que, segundo o próprio governador, teria origem privada e seria mantida como reserva pessoal.

Cameli afirmou que a diligência está relacionada a uma denúncia envolvendo um processo de avaliação para obtenção de registro de piloto de avião em uma escola de aviação onde ele foi aluno. Em nota divulgada após a operação, o governador declarou estar “sereno” e disse ter colaborado integralmente com as autoridades.

Operação Ptolomeu e suspeitas de desvios

Apesar da explicação apresentada por Cameli, a investigação se insere no contexto da Operação Ptolomeu, conduzida pela Polícia Federal, que deu origem a nove inquéritos e apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações no governo do Acre. As suspeitas envolvem desvios estimados em cerca de R$ 16 milhões.

As buscas foram autorizadas pela ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância responsável por julgar governadores. A Procuradoria-Geral da República aponta Cameli como figura central do suposto esquema e principal beneficiário dos recursos desviados.

Julgamento suspenso no STJ

Em dezembro de 2025, a ministra Nancy Andrighi, relatora de uma das ações no STJ, votou pela condenação do governador a 25 anos de prisão, além da perda do cargo. O voto incluiu crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa e dispensa ilegal de licitação.

O julgamento, no entanto, foi interrompido após pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha, e ainda não há data para a retomada. Cameli nega todas as acusações e sustenta que o processo segue inconclusivo.

Contrato suspeito e envolvimento de familiares

Um dos principais focos da investigação envolve um contrato firmado em 2019 entre a Secretaria de Infraestrutura do Acre e a empresa Murano Construções, para manutenção de prédios públicos. Um dia após a assinatura, a Murano teria firmado parceria com a empresa Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do governador.

Segundo a PF, a empresa do irmão recebeu quase R$ 2 milhões, em uma operação considerada pelos investigadores como tentativa de ocultar o real beneficiário dos recursos públicos.

Outro ponto central do inquérito é a compra de um apartamento de alto padrão em São Paulo, avaliado em R$ 6 milhões, apontado como possível pagamento de propina. O imóvel teria sido quitado por meio de uma cadeia de transferências entre empresas ligadas ao esquema investigado.

Governador fala em perseguição

Em manifestação oficial, Gladson Cameli afirmou que prestou todos os esclarecimentos solicitados, garantiu que o dinheiro apreendido tem origem lícita e disse confiar na Justiça. Ele também criticou o que classificou como tentativas de desgaste político às vésperas do período eleitoral.

“Com tranquilidade e transparência, apresentei todas as informações. Lamento que esse episódio seja usado como instrumento político para tentar me atingir”, declarou.

As investigações seguem em andamento, sob sigilo parcial, e novos desdobramentos não estão descartados.

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