
PF investiga deputado aliado de Hugo Motta em esquema de desvios no Tocantins
Ricardo Ayres nega envolvimento, mas teve celular apreendido em operação que apura fraude de R$ 73 milhões em cestas básicas durante a pandemia
A Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Fames-19, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Tocantins, envolvendo a compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19. Entre os investigados está o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou buscas no apartamento funcional de Ayres, em Brasília, de onde foram apreendidos documentos e o celular do parlamentar. As suspeitas se referem ao período em que ele ainda era deputado estadual. Segundo os investigadores, há registros manuscritos com o nome dele em notas fiscais da empresa Médio Norte Varejista Ltda., apontada como peça-chave no esquema, fornecendo cestas básicas que, na prática, nunca existiram.
O deputado, em nota, disse receber a operação com “serenidade” e reafirmou não ter envolvimento com os atos apurados. “Minha citação decorre apenas do fato de ter sido parlamentar naquele período. Respeito as instituições e estou à disposição para colaborar”, declarou.
A PF afirma que o suposto esquema desviou mais de R$ 73 milhões entre 2020 e 2021. O dinheiro teria sido ocultado por meio de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais de investigados. Ao todo, mais de 200 agentes cumprem 51 mandados de busca e apreensão.
Além de Ayres, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), e a primeira-dama Karynne Sotero também estão na mira. Barbosa foi afastado do cargo por 180 dias por determinação do STJ e chamou a decisão de “precipitada”, prometendo recorrer.