
Sob investigação, filho de Lula deixa o Brasil e volta para a Europa
Mais um escândalo ronda a família presidencial enquanto Planalto tenta abafar desgaste político
Alvo da Polícia Federal, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, prepara as malas para deixar o Brasil e retornar a Madri nos próximos dias. A viagem acontece justamente no momento em que seu nome aparece em depoimentos ligados a um esquema milionário de desvio de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.
O filho do presidente passou cerca de três semanas no país durante o fim de ano, mas agora volta para a Espanha, onde se mudou em meados de 2025. A saída ocorre enquanto a PF investiga a suspeita de que Lulinha mantinha negócios com Antonio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema.
Segundo depoimento de um ex-auxiliar do lobista, Lulinha teria recebido cerca de R$ 25 milhões, além de uma espécie de mesada mensal que giraria em torno de R$ 300 mil. As informações foram consideradas relevantes a ponto de o próprio diretor-geral da Polícia Federal confirmar publicamente que o filho do presidente está no radar das investigações.
Mesmo diante da gravidade das acusações, Lulinha não constituiu advogado e não foi encontrado para comentar o caso. Lula, por sua vez, tentou se descolar do problema com uma declaração protocolar, afirmando que “se o filho errou, terá que responder”. Nos bastidores de Brasília, a fala foi vista mais como um movimento de autoproteção do que como compromisso real com esclarecimentos.
Na prática, o discurso não combinou com a ação. Por orientação do Planalto, a base governista no Congresso votou em peso contra a convocação de Lulinha para depor na CPMI do INSS, reforçando a percepção de blindagem política — velha conhecida quando o assunto envolve o entorno do presidente.
As investigações também revelaram viagens internacionais feitas em conjunto por Lulinha e o Careca do INSS, incluindo deslocamentos para Portugal pagos pelo próprio lobista. Além disso, mensagens apreendidas pela PF mostram que, em outubro de 2024, o operador orientou a entrega de uma encomenda no apartamento alugado por Lulinha, em nome de sua esposa.
O caso aprofunda o desgaste de um governo que prometeu romper com práticas do passado, mas que segue cercado por denúncias envolvendo familiares, aliados e velhos esquemas. Para muitos brasileiros, o sentimento é de cansaço e repúdio: muda o discurso, mas os escândalos continuam batendo à porta do poder.