
PGR de Lula insiste em condenações e reforça narrativa política no STF
Gonet repete discurso inflamado contra os últimos seis réus da trama golpista, em mais um movimento que soa menos como justiça e mais como alinhamento ao governo
A Procuradoria-Geral da República decidiu, mais uma vez, atuar como se fosse um braço político do governo Lula. Nesta terça-feira (9/12), o procurador-geral Paulo Gonet voltou a pedir a condenação dos seis acusados que formam o chamado “núcleo 2” da trama golpista de 2022 — e fez isso com um tom que ultrapassa a linha da prudência institucional.
Durante sua fala, Gonet descreveu os réus como responsáveis por fomentar um “caos social” com o objetivo de levar o país a uma intervenção. Um discurso pronto, repetido, quase ensaiado — que parece muito mais preocupado em agradar o Planalto do que em analisar com serenidade os fatos e as responsabilidades individuais.
O PGR insistiu que os envolvidos aderiram voluntariamente a um plano criminoso e agiram com “aberta violência”. É um discurso austero, rígido, mas que levanta dúvidas justamente pela postura da PGR atual: dura contra alguns, silenciosa contra outros.
O julgamento, conduzido pela Primeira Turma do STF, mira os supostos operadores das ações destinadas a manter Jair Bolsonaro no poder. Segundo a denúncia, eles teriam usado a estrutura do Estado — especialmente a Polícia Rodoviária Federal — de forma indevida. A narrativa é pesada, mas ainda assim causa estranhamento a forma como a PGR de Lula apresenta tudo, como se já não houvesse mais espaço para questionamentos, nuances ou garantias básicas de defesa.
Entre os acusados estão Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro; o delegado Fernando de Sousa Oliveira; o coronel Marcelo Câmara; além de Mário Fernandes, Marília Ferreira de Alencar e Silvinei Vasques. Todos respondem por crimes gravíssimos: tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, entre outros.
Talvez o que mais chame a atenção seja a seletividade. Enquanto o PGR é feroz nesse caso, outras questões sensíveis — inclusive envolvendo aliados do governo atual — recebem um silêncio constrangedor. Uma PGR que deveria ser guardiã da Constituição não pode soar como porta-voz de um projeto de poder.
Gonet, contudo, continua repetindo a mesma toada: que os réus tentaram impedir eleitores, especialmente no Nordeste — região que, curiosamente, é a base eleitoral de Lula — de chegarem às urnas. O argumento é grave, mas também é conveniente.
No fim das contas, o que se vê é um Ministério Público que deveria ser independente, mas que hoje parece caminhar com o vento do Palácio. Justiça não combina com alinhamento automático — e muito menos com narrativa única.
A sessão prossegue, e o país observa. Não apenas o julgamento dos réus, mas o julgamento silencioso da postura da própria PGR.