STF entra na reta final do julgamento do “núcleo 2” da trama golpista

STF entra na reta final do julgamento do “núcleo 2” da trama golpista

PGR pede condenação dos seis acusados de usar a máquina pública para dificultar a votação em 2022 e sustentar plano para manter Bolsonaro no poder

A manhã desta terça-feira (9/12) começou tensa na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Ali, seguem sendo julgados os seis réus do chamado “núcleo 2” da trama golpista — grupo acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter coordenado ações do Estado brasileiro, sobretudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), para tumultuar a votação do segundo turno de 2022 e favorecer Jair Bolsonaro.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu a sessão pedindo a condenação de todos os envolvidos. Segundo ele, os acusados atuaram para atrapalhar o acesso de eleitores — principalmente no Nordeste, base eleitoral de Lula — às urnas. Gonet foi direto: houve “uso indevido do aparato estatal” e adesão ao objetivo ilícito de uma organização criminosa que tentava manter Bolsonaro no poder à força.

Antes das sustentações orais, o relator, ministro Alexandre de Moraes, classificou os acusados como “corresponsáveis” pela tentativa de ruptura democrática. A defesa, porém, tenta desmontar essa narrativa.

O primeiro advogado a falar foi Guilherme de Mattos Fontes, representante de Fernando de Sousa Oliveira, delegado da PF. Ele argumentou que seu cliente não participou de nenhum ato criminoso e que sua conduta teria sido completamente divergente da dos demais.

Na sequência, Jeffrey Chiquini, defensor de Filipe Martins — ex-assessor especial de Bolsonaro — adotou um tom duro. Afirmou que seu cliente foi preso injustamente, por uma viagem que nunca fez e por uma minuta que não escreveu. Acusou o delegado responsável pelo caso de ignorar documentos e se apoiar exclusivamente no depoimento de Mauro Cid. Para Chiquini, a delação envolvendo Martins é “mentira”.

Além de Martins e Fernando, também estão no banco dos réus: Marcelo Câmara, coronel e ex-assessor presidencial; Mário Fernandes, general da reserva; Marília Ferreira de Alencar, delegada e ex-subsecretária de Segurança do DF; e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF.

Eles respondem por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O julgamento segue com as defesas apresentando seus argumentos — enquanto o país acompanha, mais uma vez, a Justiça revisitando os acontecimentos que marcaram a mais grave crise institucional das últimas décadas.

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