Prédio irregular desaba na Zona Leste de SP, deixa seis mortos e coloca construtora e fiscalização no centro da investigação

Prédio irregular desaba na Zona Leste de SP, deixa seis mortos e coloca construtora e fiscalização no centro da investigação

Tarcísio de Freitas afirma que há indícios de que obra estava embargada e tinha andares além do autorizado; Ricardo Nunes diz que responsáveis pela construtora serão presos e Prefeitura apura possíveis falhas na fiscalização

O desabamento de um prédio em construção sobre uma residência na Penha, Zona Leste de São Paulo, transformou-se em uma grave investigação sobre possíveis irregularidades na obra, responsabilidades dos proprietários e eventuais falhas na fiscalização municipal.

O edifício, localizado na Rua Tequici, desabou durante a madrugada de sábado (12), atingindo uma casa onde viviam nove pessoas e que também funcionava como oficina de costura. A tragédia deixou seis mortos, entre eles uma criança de 7 anos, e mobilizou durante mais de 24 horas equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e outros órgãos de emergência.

As primeiras informações apontavam duas mortes, mas o número aumentou à medida que os bombeiros avançaram sobre os escombros. Dois sobreviventes também foram resgatados com vida.

O caso passou rapidamente de uma tragédia provocada pelo desabamento para uma investigação sobre como uma construção que já havia sido alvo de interdição e multas conseguiu continuar avançando.

Tarcísio aponta indícios de irregularidade

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que as informações preliminares indicavam que a obra estava irregular.

Segundo o governador, havia indícios de que a construção estava embargada e que teriam sido construídos andares além daqueles previstos no projeto autorizado.

Tarcísio, entretanto, ressaltou que a causa definitiva do desabamento ainda precisaria ser determinada por perícia e investigação.

Para o governador, uma das hipóteses mais prováveis é de que o colapso tenha relação com problemas estruturais ou deficiência na fundação, e não simplesmente com as fortes chuvas que atingiram São Paulo.

“Se tivesse sido feito da forma correta, não colapsaria em função da chuva”, afirmou Tarcísio.

A declaração coloca uma questão central no caso: embora a chuva tenha ocorrido no período do desabamento, as condições estruturais e a regularidade da construção precisam ser examinadas tecnicamente.

Obra já era alvo de fiscalização

A situação do imóvel chama ainda mais atenção porque, segundo informações da Prefeitura de São Paulo, a construção já era conhecida pelas autoridades municipais havia anos.

O local havia sido interditado desde 2019 e acumulava multas relacionadas às irregularidades identificadas.

Em 2021, a Prefeitura chegou a ingressar com uma ação judicial relacionada à construção irregular e à necessidade de demolição da estrutura existente.

Posteriormente, em 2023, houve emissão de um novo alvará, mas condicionado à demolição da construção anterior.

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, técnicos verificaram posteriormente que a demolição exigida não havia sido realizada da forma determinada.

É justamente nesse ponto que a investigação deverá avançar.

A pergunta que agora precisa ser respondida

Se havia interdição, multas e uma determinação relacionada à demolição, como a construção conseguiu continuar?

Essa é uma das principais perguntas que deverão ser respondidas pela investigação.

Também será necessário esclarecer quem autorizou, executou ou acompanhou a obra, quais profissionais eram responsáveis tecnicamente pelo empreendimento e se houve descumprimento de determinações administrativas.

Outro ponto importante é verificar se houve falha de fiscalização ou se servidores públicos foram enganados por documentos ou informações apresentadas pelos responsáveis pela construção.

A Prefeitura já determinou apuração específica sobre o caso.

Ricardo Nunes fala em prisão dos responsáveis

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que os responsáveis pela construtora seriam alvo de prisão.

A declaração ocorreu ainda durante o atendimento à tragédia e diante das informações de que a construção apresentava irregularidades anteriores.

Nunes afirmou que a Polícia Civil havia sido acionada para prender os proprietários da empresa responsável pela obra.

Segundo o prefeito, os proprietários seriam um pai e um filho, sendo que o filho seria o engenheiro responsável tecnicamente pelo prédio.

Posteriormente, um dos sócios-proprietários da New Home Construtora foi efetivamente preso temporariamente. Outros mandados de prisão contra representantes da empresa também foram expedidos.

É importante destacar que prisão temporária durante uma investigação não equivale a condenação. A responsabilidade criminal precisa ser demonstrada por meio da investigação, das perícias e das provas produzidas no processo.

New Home entra no centro das investigações

A New Home Construtora, responsável pelo empreendimento, passou a ocupar posição central na apuração.

A empresa informou que está colaborando com as autoridades e prestando assistência às famílias afetadas pela tragédia.

A Polícia Civil deverá analisar documentos da obra, projetos, autorizações, registros de fiscalização e demais elementos capazes de esclarecer se houve descumprimento das normas de construção.

Também será necessário determinar se a estrutura efetivamente possuía condições técnicas para suportar os andares construídos.

Prefeitura também terá de explicar fiscalização

A investigação não deverá se limitar à atuação da construtora.

A Prefeitura de São Paulo também terá de esclarecer como funcionou a fiscalização ao longo dos anos.

A gestão municipal informou que havia realizado ações fiscalizatórias, aplicado multas e tomado medidas administrativas e judiciais. Entretanto, o fato de a construção ter continuado avançando apesar dessas medidas levanta questionamentos sobre a efetividade da fiscalização.

Uma servidora responsável por uma vistoria foi afastada durante a apuração de possíveis irregularidades no procedimento de fiscalização.

Isso não significa que a Prefeitura tenha responsabilidade pelo desabamento. A questão deverá ser investigada para determinar se houve falha individual, fraude, negligência ou algum outro problema no processo de fiscalização.

A chuva foi responsável pelo desabamento?

As fortes chuvas atingiram São Paulo justamente no período em que o prédio desabou.

Por isso, inicialmente houve preocupação com a possibilidade de o volume de água ter contribuído diretamente para o colapso.

A Defesa Civil deverá analisar as condições do terreno e da estrutura.

Tarcísio, entretanto, afirmou que as informações preliminares apontavam mais para um possível problema estrutural ou de fundação do que para uma causa exclusivamente relacionada à chuva.

A conclusão definitiva dependerá da perícia.

Uma eventual relação entre chuva e desabamento não elimina a necessidade de verificar se a obra estava regular e se havia condições técnicas adequadas.

Câmeras registraram o momento da tragédia

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o prédio desabou.

As imagens mostram a estrutura entrando em colapso e atingindo a residência vizinha.

O registro deverá ser analisado pelas autoridades juntamente com as demais provas técnicas.

Além de ajudar a estabelecer a dinâmica do acidente, as imagens podem contribuir para identificar a velocidade e a forma como ocorreu o colapso.

Casa atingida abrigava nove pessoas

A residência diretamente atingida pelo prédio era ocupada por nove pessoas, segundo as informações divulgadas durante o resgate.

O imóvel também funcionava como uma oficina de costura e abrigava principalmente moradores de origem boliviana.

A queda da estrutura transformou a residência em uma área de escombros e obrigou os bombeiros a realizar uma operação extremamente delicada.

As equipes utilizaram cães farejadores e equipamentos especializados para localizar as vítimas.

A operação de resgate se estendeu por mais de um dia.

Seis vidas perdidas

O número de vítimas fatais chegou a seis.

Entre os mortos estava uma criança de 7 anos.

A confirmação das mortes ocorreu progressivamente, conforme os bombeiros retiraram os escombros.

A tragédia deixou famílias destruídas e colocou em evidência os riscos provocados por construções irregulares em áreas urbanas densamente povoadas.

A Defesa Civil também interditou imóveis próximos ao local para evitar novos riscos.

Tarcísio cobra investigação das causas

Tarcísio evitou antecipar uma conclusão definitiva sobre as responsabilidades.

O governador afirmou que as informações preliminares apontavam irregularidades, mas destacou que seriam necessários laudos para estabelecer exatamente o que provocou o colapso.

Essa distinção é importante: há indícios de irregularidade, mas a responsabilidade criminal individual ainda precisa ser comprovada.

A investigação deverá estabelecer se os problemas administrativos e estruturais tiveram relação direta com as mortes.

Nunes: responsáveis precisam responder

Ricardo Nunes adotou uma postura mais contundente ao falar sobre os responsáveis pela construção.

Ao anunciar que os proprietários seriam presos, o prefeito destacou a gravidade de uma obra que, segundo a Prefeitura, já enfrentava problemas havia anos.

A declaração ocorreu em meio à pressão para que as autoridades apresentassem respostas rápidas às famílias das vítimas.

Mas, juridicamente, a investigação precisa seguir seu curso.

A prisão de um investigado não encerra o caso. É necessário produzir provas, realizar perícias e permitir que os envolvidos apresentem suas versões e exerçam o direito de defesa.

O caso expõe um problema maior

O desabamento na Penha expõe um problema que vai além de uma única construtora.

Quando uma obra irregular permanece de pé durante anos, apesar de notificações, multas, interdições e medidas administrativas, surge uma questão inevitável sobre a eficiência do sistema de fiscalização.

Não basta aplicar uma multa se o responsável simplesmente ignora a determinação.

Também não basta interditar uma obra se não houver mecanismos capazes de impedir sua continuidade.

A tragédia agora exige respostas concretas.

Quem construiu? Quem autorizou? Quem fiscalizou? Quem deveria ter impedido a continuidade da obra? E por que uma estrutura apontada como irregular chegou ao ponto de desabar sobre uma residência?

São essas perguntas que a investigação deverá responder.

Partes envolvidas

  • Tarcísio de Freitas — governador de São Paulo, que afirmou haver indícios de irregularidade na construção e apontou a possibilidade de problemas estruturais ou na fundação.
  • Ricardo Nunes — prefeito de São Paulo, que afirmou que os responsáveis pela construtora seriam presos e determinou apuração sobre o caso.
  • New Home Construtora — empresa responsável pelo prédio que desabou.
  • Sócio-proprietário da New Home — um dos responsáveis pela empresa foi preso temporariamente; outros mandados foram expedidos.
  • Polícia Civil de São Paulo — responsável pela investigação criminal e pelas diligências contra os responsáveis pela obra.
  • Corpo de Bombeiros — responsável pelo resgate das vítimas e pela retirada dos corpos dos escombros.
  • Defesa Civil — responsável pela avaliação dos riscos estruturais e pela interdição de imóveis próximos.
  • Prefeitura de São Paulo — responsável pelas ações de fiscalização, interdições e procedimentos administrativos relacionados ao imóvel.
  • famílias das vítimas — diretamente atingidas pela tragédia.
  • moradores da residência atingida — nove pessoas estavam no imóvel quando o prédio desabou.

O que a investigação precisa esclarecer

A investigação terá de estabelecer, entre outros pontos:

  1. Se a obra possuía autorização válida para todos os andares construídos;
  2. Se houve descumprimento de interdições e determinações de demolição;
  3. Qual era a situação estrutural do edifício;
  4. Se houve falha na fundação;
  5. Se as chuvas contribuíram para o colapso;
  6. Quem era o responsável técnico pela obra;
  7. Se houve falsificação ou irregularidade em documentos de fiscalização;
  8. Se servidores públicos cometeram alguma irregularidade;
  9. Se a construtora descumpriu normas técnicas;
  10. Se existe relação direta entre as irregularidades apontadas e as mortes.

Tragédia que não pode terminar sem respostas

O desabamento do prédio na Penha deixou seis mortos e colocou uma obra que já era alvo de questionamentos administrativos no centro de uma investigação criminal.

As declarações de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes mostram a dimensão do problema: enquanto o governador aponta indícios de que a construção estava irregular e questiona a hipótese de a chuva ser a causa principal, o prefeito afirma que os responsáveis pela construtora deverão responder perante a Justiça.

Agora, caberá à Polícia Civil, à perícia e aos demais órgãos competentes transformar suspeitas em fatos comprovados.

A tragédia não pode ser reduzida à força da chuva ou a um simples acidente.

Se a investigação confirmar que uma construção irregular, uma falha estrutural, o descumprimento de uma ordem administrativa ou eventual negligência contribuíram para o desabamento, os responsáveis deverão ser identificados e responsabilizados dentro da lei.

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