
Presidente da CPMI do INSS procura Toffoli antes de depoimento decisivo sobre Banco Master
Senador Carlos Viana se reúne com ministro do STF dois dias antes da oitiva de Daniel Vorcaro, convocado para explicar suspeitas envolvendo empréstimos consignados
A CPMI do INSS, criada para investigar fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões, volta a se reunir nesta semana com um clima de tensão nos bastidores. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), tem um encontro marcado nesta terça-feira (3), às 15h, com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
A reunião acontece apenas dois dias antes do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master, que foi convocado para falar à comissão na próxima quinta-feira (5), durante a primeira sessão do colegiado em 2026.
No Congresso, cresce a avaliação de que uma eventual decisão do STF que retire a obrigatoriedade do depoimento pode enfraquecer a tentativa da CPMI de ligar as operações financeiras do banco a possíveis prejuízos sofridos por aposentados e pensionistas que contrataram empréstimos consignados e outros produtos oferecidos pela instituição.
A defesa de Vorcaro ainda estuda recorrer ao Supremo para limitar o alcance do depoimento ou garantir algum tipo de “blindagem” durante a sessão. Como ocorre em casos semelhantes, o argumento pode ser o direito de permanecer em silêncio em perguntas que possam gerar autoincriminação.
Vorcaro foi convocado oficialmente após a CPMI aprovar, em dezembro, com apoio da oposição, não só sua ida à comissão, mas também a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. O objetivo é aprofundar as investigações sobre irregularidades ligadas ao consignado — uma das frentes centrais da comissão.
O Banco Master entrou no centro do debate após o Banco Central decretar sua liquidação extrajudicial, em novembro de 2025, apontando violações de normas, uma crise grave de liquidez e emissão de títulos de crédito com suspeita de falta de lastro. A situação abriu caminho para a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Essa operação, autorizada pela Justiça e relatada por Toffoli no STF, apura suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação contábil, criação de carteiras fictícias de crédito e venda de ativos sem garantias reais, especialmente durante negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
Com a CPMI retomando os trabalhos e o depoimento de Vorcaro batendo à porta, a expectativa é de que os próximos dias definam o tom de 2026 na comissão: se será um avanço firme nas investigações ou mais um embate travado entre política, Justiça e interesses financeiros.