💰 Lavagem digital: fintechs viram lavanderias high-tech do crime

💰 Lavagem digital: fintechs viram lavanderias high-tech do crime

De “inovação financeira” a braço tecnolĂłgico de facçÔes, empresas movimentaram mais de R$ 28 bilhĂ”es para PCC e Comando Vermelho nos Ășltimos seis anos

O discurso era sedutor: “O futuro Ă© agora”, prometiam anĂșncios cheios de imagens geradas por inteligĂȘncia artificial, mostrando jovens ficando ricos apenas com o celular na mĂŁo. Outras fintechs vendiam a ideia de liberdade contra “restriçÔes bancĂĄrias” e “bloqueios judiciais”. Mas por trĂĄs do marketing moderninho, havia um esquema robusto de lavagem de dinheiro operando para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Segundo investigaçÔes da PolĂ­cia Federal, PolĂ­cia Civil e MinistĂ©rio PĂșblico, oito instituiçÔes de pagamento e bancos digitais movimentaram cerca de R$ 28,2 bilhĂ”es de origem criminosa em apenas seis anos. O dinheiro vinha, principalmente, do trĂĄfico de drogas e armas, circulando de forma quase invisĂ­vel graças Ă  pouca fiscalização do setor.

O esquema funcionava como um paraĂ­so fiscal digital: sem precisar lidar com doleiros ou riscos de transporte fĂ­sico de valores, as facçÔes criavam seus prĂłprios “bancos” virtuais para transferir recursos, comprar e vender criptomoedas e operar em vĂĄrios paĂ­ses ao mesmo tempo.

Em um dos casos mais emblemáticos, a 4tbank — autodenominada “primeiro banco cripto do Brasil” — estava no nome de uma jovem de 24 anos, mas, segundo a polícia, era controlada pelo padrasto dela, prestes a ser “batizado” no PCC. Só essa empresa movimentou meio bilhão de reais em quatro anos.

Outro exemplo é a 2GO Instituição de Pagamento, acusada de lavar R$ 6 bilhÔes e realizar transaçÔes ligadas até a contas sancionadas pelo governo de Israel. O modus operandi incluía fracionamento de valores para driblar alertas, uso de empresas de fachada, laranjas e conversão de dinheiro em criptomoedas para escapar do rastreamento.

Para os promotores, essas fintechs se tornaram a nova lavanderia de luxo do crime organizado — mais rĂĄpida, mais eficiente e com aparĂȘncia de legalidade. Como resume o promotor FĂĄbio Bechara, do MP-SP:

“Por que o criminoso vai arriscar com doleiro, se pode abrir o próprio banco digital? É o paraíso fiscal do crime.”

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