
Presidente do STM reage a colega e denuncia tom misógino em crítica
Maria Elizabeth Rocha afirma que a fala do ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, que disse que ela “precisa estudar mais”, foi uma agressão desrespeitosa e carregada de machismo.
A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, respondeu nesta terça-feira (4) às críticas feitas pelo colega Carlos Augusto Amaral Oliveira, classificando-as como uma “agressão desrespeitosa” com tom misógino.
O embate começou após Carlos Augusto comentar uma fala da presidente, dizendo que ela “precisa estudar um pouco mais” — declaração que gerou desconforto dentro e fora da Corte. Para Maria Elizabeth, o comentário ultrapassou o limite da divergência jurídica e revelou um viés machista ainda presente nas instituições.
“Não se trata apenas de uma discordância técnica, mas de uma tentativa de deslegitimar a voz de uma mulher em um espaço historicamente masculino”, afirmou a ministra.
“Machismo não cabe na toga”
A ministra ressaltou que, apesar de estar acostumada a enfrentar resistências, é inadmissível que um colega de tribunal recorra a ataques pessoais para desqualificar opiniões divergentes.
Ela destacou que o episódio é sintomático de como o machismo se manifesta de forma sutil, mas corrosiva, inclusive dentro das mais altas instâncias do Judiciário.
“A crítica pode ser técnica, mas quando se usa a expressão de que uma mulher precisa estudar mais, o que se quer é colocá-la no seu ‘devido lugar’. Isso é misoginia disfarçada de debate jurídico”, disse Maria Elizabeth.
Clima tenso no tribunal
A troca de farpas entre os ministros reacendeu o debate sobre respeito e igualdade de gênero dentro do STM. Colegas da Corte evitaram comentar publicamente, mas nos bastidores o episódio é visto como reflexo de uma cultura institucional que ainda resiste à liderança feminina.
Maria Elizabeth, que fez história ao se tornar a primeira mulher a presidir o STM, afirmou que continuará exercendo suas funções com serenidade, mas não deixará de denunciar atitudes que reforcem preconceitos e desigualdades.
“O respeito não é opcional. É um dever entre magistrados e uma condição básica para a democracia”, concluiu.