Presidente do TSE admite dificuldades provocadas pela prorrogação da votação e destaca queda histórica na abstenção

Presidente do TSE admite dificuldades provocadas pela prorrogação da votação e destaca queda histórica na abstenção

Kassio Nunes Marques afirma que a decisão de estender o horário até as 19h exigiu medidas técnicas extraordinárias, provocou acúmulo de boletins de urna e obrigou a Justiça Eleitoral a reorganizar a apuração. Ministro diz que o resultado foi preservado, mas defende que futuras prorrogações sejam planejadas com antecedência.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou, em 25 de outubro de 2026, o balanço do segundo turno das eleições presidenciais e reconheceu que a decisão de prorrogar a votação provocou dificuldades operacionais. A medida, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, ampliou até as 19h o funcionamento das seções eleitorais que ainda estavam abertas, embora o horário regular de encerramento fosse 17h.

Em seu pronunciamento, Nunes Marques afirmou que a alteração exigiu adaptações nos sistemas de apuração, bloqueio temporário do recebimento de boletins de urna e providências adicionais para garantir a segurança dos servidores e mesários. Segundo ele, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a decisão foi comunicada, impossibilitando sua reabertura.

Apesar das dificuldades, o presidente do TSE declarou que a equipe técnica conseguiu superar os problemas e concluir a totalização dos votos. Ao mesmo tempo, deixou uma advertência sobre a necessidade de planejamento prévio para medidas dessa natureza.

“Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado”, afirmou Kassio Nunes Marques.

A declaração tem importância especial porque parte do próprio presidente da instituição responsável pela organização e condução do processo eleitoral. Embora o ministro tenha afirmado que a apuração não foi comprometida, seu relato confirma que a decisão exigiu procedimentos extraordinários em um momento delicado da votação.

A discussão, portanto, não se limita ao resultado presidencial. Envolve também a competência institucional para administrar eleições, a previsibilidade das regras, a transparência das decisões judiciais e a necessidade de evitar que mudanças de última hora provoquem incertezas operacionais.

1. Prorrogação da votação provocou acúmulo de boletins de urna

O ponto mais delicado do pronunciamento foi o relato de que milhares de urnas eletrônicas já haviam sido encerradas quando a decisão do STF chegou à Justiça Eleitoral.

Segundo Kassio Nunes Marques, o pedido de ampliação do horário chegou por volta das 15h30. Ele afirmou que procurou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do TSE para avaliar as possíveis consequências da medida.

O ministro ressaltou que não havia, naquele momento, uma norma específica que autorizasse uma prorrogação nacional daquela natureza e que a medida era inédita na história do tribunal.

Como a decisão foi comunicada depois das 17h, quando o encerramento já havia ocorrido em numerosas seções, foi necessário adaptar o processamento dos resultados. O TSE suspendeu temporariamente o recebimento dos boletins de urna para evitar a divulgação da apuração enquanto ainda havia locais de votação em funcionamento.

Essa suspensão provocou um acúmulo de arquivos que aguardavam processamento. Segundo o ministro, havia também preocupação com a capacidade de armazenamento dos dados durante o período extraordinário.

O presidente do tribunal afirmou, porém, que as equipes técnicas conseguiram superar os obstáculos e retomar o processamento depois das 19h. O TSE declarou que a apuração foi concluída com segurança. Tribunal Superior Eleitoral

O que são os boletins de urna?

Os boletins de urna são documentos que registram os resultados contabilizados em cada urna eletrônica ao final da votação. Eles permitem conferir os votos atribuídos aos candidatos em cada seção e constituem uma ferramenta importante de transparência e fiscalização.

A suspensão temporária do recebimento desses arquivos não significa que os votos tenham sido apagados ou alterados. Segundo o TSE, a medida foi adotada para compatibilizar a totalização com a prorrogação do horário.

A questão institucional levantada pelo episódio é se uma mudança dessa dimensão deveria ter sido decidida e comunicada com maior antecedência, de modo a reduzir riscos operacionais e evitar incertezas durante a apuração.

2. Kassio Nunes Marques: prorrogar é possível, mas exige planejamento

A declaração mais significativa do presidente do TSE foi a advertência sobre a necessidade de planejamento.

“Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado.”

A fala indica que o ministro não considerou a extensão do horário uma medida impossível em qualquer circunstância. Sua preocupação foi com a forma como uma mudança excepcional pode afetar a operação eleitoral quando anunciada poucas horas antes do encerramento.

O questionamento é relevante porque uma eleição nacional envolve centenas de milhares de urnas, equipes distribuídas por todo o território brasileiro, sistemas de transmissão de dados e procedimentos de fiscalização.

Uma alteração inesperada pode exigir mudanças simultâneas em diferentes etapas da operação, inclusive no encerramento das seções, na segurança dos servidores e na divulgação dos resultados.

Por isso, o episódio reforça a necessidade de protocolos prévios para situações extraordinárias, com critérios objetivos, comunicação rápida e definição clara das responsabilidades de cada órgão.

3. A abstenção caiu para 19,21%, segundo o balanço do TSE

Apesar das dificuldades operacionais, Kassio Nunes Marques destacou um resultado positivo do segundo turno: a redução da abstenção eleitoral.

Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar. Aproximadamente 128,2 milhões compareceram às urnas, e a abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.

A redução representa cerca de 1,87 ponto percentual. Em números absolutos, aproximadamente três milhões de eleitores a menos deixaram de comparecer, conforme a comparação entre os turnos divulgada pela imprensa. UOL Notícias

O ministro considerou o resultado especialmente importante diante das discussões sobre dificuldades de deslocamento e acesso aos locais de votação.

Entretanto, a redução da abstenção não comprova, por si só, que a prorrogação tenha sido responsável pelo aumento do comparecimento. A mobilização das campanhas, a importância atribuída ao segundo turno e outros fatores também podem ter contribuído.

Para determinar o impacto específico da extensão do horário, seria necessário analisar dados detalhados sobre as seções abrangidas pela medida e o número de eleitores que efetivamente votaram durante o período adicional.

4. Mais de 95 mil locais de votação e transporte gratuito

O presidente do TSE também destacou as iniciativas para facilitar o acesso dos eleitores às urnas.

Segundo o balanço apresentado, foram disponibilizados mais de 95 mil locais de votação em todo o país, com o objetivo de reduzir deslocamentos e aproximar as seções eleitorais dos cidadãos.

O ministro mencionou ainda a oferta de transporte coletivo gratuito nos dias de votação, seguindo parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013 e previstos na Resolução-TSE nº 23.751/2026.

Os tribunais regionais eleitorais foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço em suas respectivas regiões, com acompanhamento do TSE e da Corregedoria-Geral Eleitoral.

Nunes Marques afirmou que eventuais insuficiências no transporte devem ser apuradas pela Justiça Eleitoral, responsável constitucional pela gestão do processo eleitoral.

O tema tem relação direta com a controvérsia sobre a prorrogação: se dificuldades de transporte impediram eleitores de chegar às seções, é necessário identificar as localidades afetadas e avaliar quais medidas poderiam ter sido adotadas de maneira tempestiva.

5. Apenas 1.551 urnas precisaram ser substituídas

Outro dado apresentado pelo presidente do TSE foi o número de urnas eletrônicas substituídas durante o segundo turno.

Das 499.248 urnas utilizadas, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.

O número foi apresentado pelo ministro como parte do balanço operacional da eleição. Ele também destacou o trabalho das equipes técnicas, dos servidores e dos mesários que participaram da organização do pleito.

A taxa de substituição, isoladamente, não permite avaliar todos os aspectos da segurança eleitoral, mas oferece um indicador sobre a necessidade de troca de equipamentos durante a votação.

O tribunal afirmou que as dificuldades decorrentes da prorrogação foram superadas e que a totalização foi concluída sem comprometimento do resultado. Tribunal Superior Eleitoral

6. Eleições de 2026 registraram 2.265 processos no TSE

Kassio Nunes Marques também chamou atenção para o volume de processos judiciais relacionados às eleições.

Segundo o balanço divulgado, foram submetidos ao TSE 2.265 processos, incluindo 827 representações e pedidos de direito de resposta.

Há uma pequena divergência entre as informações reproduzidas por diferentes veículos sobre o número de pedidos de direito de resposta: o Correio do Povo informou 446, enquanto a Rádio Senado registrou 444. O total de processos informado pelo ministro foi de 2.265. Tribunal Superior Eleitoral

O presidente do tribunal afirmou que o grande volume de demandas exige análise técnica, contraditório, fundamentação e, quando cabível, julgamento colegiado.

Sua advertência foi direta: a necessidade de rapidez na Justiça Eleitoral não pode comprometer a qualidade das decisões nem as garantias do devido processo legal.

A observação é pertinente para o debate sobre a prorrogação. Decisões urgentes podem ser necessárias em situações excepcionais, mas precisam respeitar as competências institucionais e considerar os efeitos práticos das medidas determinadas.

7. Lula foi reeleito; Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos

O balanço do presidente do TSE também confirmou os números finais da disputa presidencial.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) terminou em segundo lugar, com 59.826.041 votos, ou 48,21%.

A diferença foi de 4.430.191 votos.

Kassio Nunes Marques afirmou que telefonou para os dois candidatos e os cumprimentou pela participação no segundo turno. Ao se referir a Flávio, destacou sua votação expressiva na primeira disputa presidencial do senador.

O resultado oficial representa a escolha feita pela maioria dos eleitores que votaram validamente. Eventuais questionamentos jurídicos sobre procedimentos específicos devem ser analisados pelos órgãos competentes, sem que se presuma antecipadamente a existência de fraude ou a invalidade do resultado.

8. A Justiça Eleitoral afirma ter realizado as eleições mais inclusivas da história

Em seu pronunciamento, Kassio Nunes Marques classificou o pleito como o mais inclusivo da história da República brasileira.

O ministro mencionou medidas destinadas a ampliar a participação de mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Também destacou a destinação mínima de recursos públicos para candidaturas femininas e negras e as iniciativas de incentivo à participação de candidatos indígenas.

Outro programa citado foi o Seu Voto Importa, apresentado como parte dos esforços para ampliar o acesso ao direito de voto.

O ministro afirmou que a Justiça Eleitoral busca aperfeiçoar continuamente a segurança, a eficiência e a acessibilidade do sistema de votação.

9. Observadores nacionais e internacionais acompanharam o processo

O presidente do TSE também ressaltou a presença de observadores nacionais e internacionais durante as eleições.

Segundo ele, as missões tiveram acesso aos procedimentos de votação, aos mecanismos de auditoria e fiscalização e às informações necessárias para acompanhar o processo de forma independente.

Nunes Marques afirmou que a observação externa contribui para a transparência e permite que instituições independentes avaliem os procedimentos adotados no Brasil.

O acompanhamento por observadores é um dos instrumentos de fiscalização eleitoral, mas deve ser considerado em conjunto com os demais mecanismos de auditoria, fiscalização partidária e conferência dos resultados.

10. A principal lição: decisões eleitorais excepcionais exigem critérios claros

O balanço apresentado por Kassio Nunes Marques contém dois aspectos que precisam ser analisados conjuntamente.

De um lado, o presidente do TSE afirmou que a apuração foi concluída com segurança, que as dificuldades técnicas foram superadas e que o resultado eleitoral foi preservado.

De outro, reconheceu que a prorrogação foi uma situação inédita para o tribunal, que milhares de urnas já estavam encerradas e que foi necessário suspender temporariamente o recebimento dos boletins de urna.

Esses fatos justificam uma cobrança por protocolos mais claros e planejamento prévio para futuras situações excepcionais. Não comprovam, por si sós, que houve fraude ou que a eleição deva ser anulada.

O episódio mostra por que decisões que alteram o funcionamento de uma eleição precisam considerar não apenas a justificativa imediata, mas também as consequências técnicas e operacionais.

A confiança pública depende de regras previsíveis, comunicação transparente e capacidade de demonstrar que os votos foram registrados e contabilizados de maneira correta.


Fontes consultadas

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