
PSOL ultrapassa todos os limites ao exigir prisões preventivas em massa
Partido transforma investigação em espetáculo político e tenta influenciar decisões do STF com alarde e oportunismo
O PSOL decidiu, mais uma vez, vestir a capa de justiceiro revolucionário e foi ao Supremo Tribunal Federal pedir a prisão preventiva de vários condenados no caso da tentativa de golpe de 2022 — como se estivesse distribuindo sentença em praça pública. O pedido, apresentado nesta quinta-feira (20), tenta pressionar o ministro Alexandre de Moraes a encarcerar nomes ligados ao núcleo 1 da investigação, independentemente de etapas legais ainda em curso.
A ofensiva do partido ganhou força depois que surgiram informações de que o deputado Alexandre Ramagem estaria em Miami, nos Estados Unidos — algo, até aqui, sem comunicação oficial de saída do país. O PSOL transformou isso em combustível para criar pânico institucional, sugerindo que todos os envolvidos teriam condições de “fuga iminente”, graças à sua influência política ou recursos financeiros.
Entre os alvos mencionados, figuram ex-ministros e militares como Almir Garnier, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira. Para o PSOL, só o fato de terem ocupado cargos relevantes já seria motivo suficiente para prendê-los preventivamente, como se a exceção fosse a nova regra e a presunção de liberdade não existisse mais.
O caso de Ramagem, claro, virou o foco da narrativa. Embora a Câmara tenha informado que ele não faz parte de missão oficial e que não recebeu qualquer aviso formal sobre a saída do parlamentar, o PSOL trata a situação como prova de uma grande fuga organizada — uma história que soa mais como roteiro de série política do que como realidade documentada. A própria ausência de registro de devolução de passaporte vira argumento especulativo, não fato.
Enquanto isso, surgem contradições nos documentos da própria Câmara, que registram votações dele em períodos de atestado médico — algo que levanta dúvidas, mas não justifica a histeria punitivista que o PSOL tenta impulsionar.
Ao final, o partido exige que, se houver qualquer comprovação de que Ramagem deixou o Brasil, o STF aja imediatamente para capturá-lo — como se fosse o braço operacional da sigla. O pedido tenta transformar o Judiciário em instrumento de demonstração de força política, numa visão que mistura oportunismo, revanchismo e pouco apreço por garantias legais.
O deputado integra o mesmo núcleo em que estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda em prisão domiciliar, Braga Netto, preso desde 2024, e Mauro Cid, que recebeu pena reduzida após acordo. Mas, para o PSOL, isso basta para justificar prisões preventivas generalizadas, mesmo enquanto recursos ainda tramitam.
No fim das contas, a atuação do PSOL diz menos sobre defesa da democracia e mais sobre o velho impulso de usar a Justiça como palco para espetáculos políticos — um hábito que, infelizmente, o partido insiste em manter, como se fosse parte orgânica de sua estratégia de sobrevivência.