
Quando a “democracia” tem preço: o contrato de R$ 129 milhões que Moraes finge não ver
Operação Compliance Zero expõe elo milionário entre Banco Master e o escritório da esposa de Alexandre de Moraes — mas, claro, a preocupação do ministro continua sendo “proteger as instituições”
A história é digna de roteiro: enquanto Alexandre de Moraes vive alertando o país sobre riscos “antidemocráticos”, a Polícia Federal esbarra, em plena Operação Compliance Zero, em um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Um detalhe, assim, bem pequeno… mas que o ministro parece enxergar com lupa invertida.
O acordo previa R$ 3,6 milhões por mês por três anos para “consultoria jurídica” — sem causas específicas, sem processos definidos, apenas aquela cláusula mágica: “atuar onde for necessário”. Uma espécie de assinatura premium, disponível só para clientes muito, muito especiais.
E como isso veio à tona? A PF encontrou o contrato no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enquanto investigava um esquema bilionário envolvendo o próprio Master e o BRB. Aliás, as mensagens internas revelam que o pagamento ao escritório da família Moraes era tratado como prioridade absoluta. “Em hipótese alguma podia atrasar”, dizia Vorcaro. Quem não gostaria de um cliente assim?
Enquanto isso, Toffoli pega carona no jatinho…
Como se o enredo já não fosse surreal o suficiente, entra em cena o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. Em plena investigação, ele viaja para Lima — final da Libertadores — no mesmo jato particular em que estava um dos advogados ligados ao Banco Master. Coincidência? Amizade? Networking aéreo? A resposta depende só da boa vontade de quem quiser acreditar.
Toffoli confirmou que pegou carona no jatinho do empresário Luiz Oswaldo Pastore, seu amigo, e que no voo também estava Augusto Arruda Botelho, defensor de um diretor do Master. Garantiu que não falaram do caso. Porque, claro, é perfeitamente natural viajar com advogado de investigado — desde que o assunto seja futebol.
Sigilo? Temos. E muito.
Um dia antes do passeio aéreo, Toffoli havia sido sorteado para relatar o recurso de Vorcaro no STF. No minuto seguinte, colocou o processo sob sigilo máximo, como se o caso tratasse da fórmula da Coca-Cola.
A PF, por sua vez, não viu nenhum indício de irregularidade no suposto negócio imobiliário que levou o processo ao Supremo. Mesmo assim, Toffoli manteve tudo nas suas mãos — e a 10ª Vara Federal de Brasília, obediente, suspendeu o inquérito e enviou tudo para o STF.
No fim, quem é “antidemocrático” mesmo?
É curioso observar o cenário:
- contrato milionário com a família de um ministro do STF;
- prioridade de pagamento dentro de um esquema investigado pela PF;
- outro ministro pegando carona em jatinho com advogado de investigado;
- processos colocados em sigilo máximo na velocidade da luz.
Mas, para Moraes, o grande atentado à democracia está sempre lá fora, nunca no círculo bem iluminado onde os holofotes raramente entram.
Difícil não rir da ironia… ou não sentir um profundo repúdio pela normalização desse tipo de bastidor.