
Quando a militância fala mais alto que o Carnaval
Milton Cunha sai do jornalismo da Globo após propaganda governista, e a “turma da lacração” finge surpresa
A novela envolvendo Milton Cunha e a TV Globo ganhou novos capítulos — e, como quase tudo hoje em dia, misturou Carnaval, política e conveniência. Após participar de uma propaganda exaltando o governo Lula, o carnavalesco acabou fora do tradicional quadro Enredo e Samba, exibido no RJ1. Coincidência? Só para quem ainda acredita em Papai Noel fora de época.
A emissora negou oficialmente qualquer veto político e tratou de suavizar o episódio. Em nota, afirmou que Milton segue como embaixador do Carnaval Globeleza e que, neste ano, estará “ainda mais ligado ao entretenimento”. Tradução livre: saiu do jornalismo, mas continua útil onde não atrapalha a narrativa.
Jornalismo neutro… até a página dois
Segundo informações da imprensa, Milton chegou a gravar o quadro normalmente, como faz desde 2014. No entanto, após a veiculação da propaganda governamental em dezembro — na qual elogia abertamente feitos do governo petista — a direção decidiu cortar sua participação. O entendimento interno foi simples: quem atua em ações políticas ou comerciais não deve ocupar espaço em quadros jornalísticos. Uma regra antiga, aplicada seletivamente.
Nas redes sociais, parte do público reclamou da ausência do carnavalesco. Outros apenas observaram o óbvio: militância tem preço, e alguém sempre paga a conta.
A lacração nunca é de graça
O episódio escancara algo já conhecido: a chamada “turma da lacração” não milita por amor — milita por cachê, espaço e conveniência. Quando tudo vai bem, é liberdade de expressão. Quando há consequência, vira perseguição.
A Globo, por sua vez, tenta equilibrar o jogo: afasta do jornalismo, realoca no entretenimento e mantém a imagem de isenção. Já Milton Cunha segue com espaço, microfone e holofotes — só não exatamente onde estava antes.
No fim das contas, ninguém ficou sem palco. Apenas ficou claro, mais uma vez, que no Brasil atual arte, política e interesse caminham juntos, mas a conta da coerência raramente fecha.
E assim segue o espetáculo: muito discurso, muita pose moral… e, claro, sempre alguém de olho no cachê. 🎭