
Tudo o que Lula toca… acaba rebaixado: vexame na Sapucaí vira manchete mundial
Escola que transformou o Carnaval em palanque político cai na estreia do Grupo Especial e vira exemplo internacional de como militância não garante nota 10
Nem o brilho da avenida, nem o empurrão ideológico foram suficientes. A Acadêmicos de Niterói, que apostou alto ao homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pleno Carnaval, terminou sua passagem pela elite do samba do pior jeito possível: em último lugar e com bilhete carimbado para o rebaixamento.
O tombo foi tão simbólico que atravessou fronteiras. A imprensa internacional não perdeu tempo e tratou o episódio como algo além de um simples resultado carnavalesco. Para muitos veículos estrangeiros, o desfile virou um caso exemplar de como misturar política partidária e festa popular pode acabar em fiasco — artístico e estratégico.
A BBC foi direta ao ponto ao afirmar que o Carnaval do Rio ganhou um “elemento extra de entretenimento”: a controvérsia política. O veículo destacou que a escola foi acusada pela oposição de antecipar campanha eleitoral, lembrando que Lula tenta mais um mandato. No fim, nem o presidente assistindo ao desfile na Marquês de Sapucaí ajudou a evitar o vexame.
Já a France 24 ressaltou que a irritação começou antes mesmo da escola pisar na avenida. Segundo a emissora, setores da direita classificaram o desfile como “campanha disfarçada”, enquanto os jurados — menos interessados em discursos e mais atentos à técnica — simplesmente não se impressionaram. O resultado foi cruel: apenas duas notas 10 em toda a apuração.
O jornal argentino La Nación foi ainda mais ácido. Destacou a chuva de críticas políticas, lembrou as sátiras direcionadas a adversários de Lula e apontou que o desfile provocou reações indignadas por atacar valores conservadores e religiosos. O jornal também citou a mobilização da oposição nas redes e o anúncio de medidas judiciais por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No balanço final, o enredo que pretendia exaltar “a esperança” acabou virando um estudo de caso internacional sobre excesso de militância, falhas técnicas e problemas de dispersão. A estreia no Grupo Especial, que deveria ser consagração, virou constrangimento transmitido para o mundo.
A ironia é inevitável: quando a avenida vira palanque e o samba vira slogan, o jurado responde com a caneta. E, mais uma vez, ficou a sensação de que tudo o que Lula toca — até o Carnaval — acaba caindo.