
Quando o Amigo Vale Mais Que a Crise
Lula ignora desgaste, pressiona Senado e insiste em Messias no STF: “não sei por que tanto drama”
A novela da indicação de Jorge Messias ao Supremo ganhou mais um capítulo, e claro, com Lula no centro do palco — agora posando de incompreendido político que não sabe por que, afinal, tanta gente está torcendo o nariz para seu escolhido.
Em uma entrevista à TV Verdes Mares, o presidente afirmou que simplesmente “não entende” o motivo de a indicação ter virado um cabo de guerra dentro do Senado.
Natural — é difícil mesmo perceber polêmica quando se enxerga tudo com lentes turvas pela amizade e lealdade partidária.
“Não sei por que virou problema” — disse, criando o problema
Lula, com a calma de quem indica aliados ao STF como quem distribui convites para churrasco, repetiu:
“Não é a primeira pessoa que eu indico para o Supremo.”
Pois é. Justamente por não ser a primeira que o Senado está com a pulga atrás da orelha.
Principalmente agora, quando a escolha cai como luva para um governo que tenta se equilibrar em crises próprias e em disputas internas alimentadas pelo Planalto.
Calote no cronograma e irritação geral
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, suspendeu toda a agenda da sabatina.
Motivo? O governo nem sequer enviou a mensagem formal exigida para que o processo começasse.
Um detalhe mínimo, claro — só faltaram lembrar de avisar oficialmente quem decide.
Nos bastidores, Alcolumbre está incomodado. Ele havia articulado outro nome (Rodrigo Pacheco), mas Lula preferiu manter o amigo Messias. E aí o jogo virou.
Enquanto isso, parte do PSD, do PL e do União Brasil ainda resiste à indicação, deixando claro que Messias tem mais chão para percorrer do que a entourage lulista gostaria de admitir.
Mas Lula segue firme: o amigo está “qualificado”
O presidente reforçou que Messias tem “história e currículo” compatíveis com o cargo.
É a mesma frase de sempre, a mesma justificativa padrão para evitar responder o que realmente incomoda os senadores:
— a indicação tem cheiro de padrinhagem política,
— é mal articulada,
— e chegou atropelada.
Mas Lula segue fingindo normalidade, como se tudo fosse apenas exagero da oposição.
Aliado de Dilma, amigo do Planalto e nome que divide o Congresso
Jorge Messias, um personagem antigo do círculo petista (intimamente ligado ao governo Dilma), vem enfrentando resistências, principalmente porque muitos veem sua nomeação como mais uma tentativa do presidente de blindar juridicamente o governo, garantindo um STF cada vez mais confortável politicamente.
Se Messias será aprovado?
Isso depende das próximas rodadas de negociação — e do tamanho da insistência do Planalto, que já mostrou estar disposto a comprar o desgaste que for necessário.
Conclusão: Lula diz não entender a crise… e, ao mesmo tempo, a alimenta
O presidente tenta posar de inocente — como se tudo fosse um mal-entendido — mas não solta a mão do aliado.
No fim, o discurso é bonito, mas a prática mostra outra coisa:
- Falta articulação;
- Sobra teimosia;
- E o STF vira palco para acomodar aliados como se fosse extensão do gabinete presidencial.