
Lula Faz Pose de Salvador — Mas a Conta Chegou Graças à CPI, Não ao Planalto
Presidente tenta faturar politicamente devolução do INSS enquanto esquece de mencionar quem realmente desvendou o rombo
No mais novo capítulo do “Lula se autopromovendo como herói nacional”, o presidente apareceu comemorando a devolução de R$ 2,6 bilhões a 3,9 milhões de aposentados lesados pelo INSS. O discurso, cheio de indignação calculada, foi feito como se o governo tivesse descoberto e resolvido tudo sozinho — quando, na realidade, a engrenagem só andou graças às investigações profundas e pressão da CPI, e não por virtude espontânea do Palácio do Planalto.
Durante evento em Pernambuco, Lula disparou contra os fraudadores, chamando-os de “sacanas”, prometendo cadeia e posando como defensor incansável dos aposentados. Tudo muito bonito — pena que a narrativa não inclui o detalhe básico de que o governo ignorou o problema por anos e só acordou quando a fraude virou escândalo nacional.
A fraude que o governo fingiu não ver
O INSS está devolvendo valores descontados indevidamente por associações investigadas pela Polícia Federal, num esquema que operou de 2019 a 2024 sem praticamente nenhuma barreira. A operação da PF mira o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além de dirigentes do órgão.
E no meio desse enredo, um nome incômodo aparece: Frei Chico, irmão de Lula, vice-presidente de uma das entidades investigadas. Não é alvo de medidas judiciais — mas, claro, o governo finge que isso é apenas coincidência celestial.
Lula e seus discursos prontos
Desviando do tema incômodo, o presidente também aproveitou o palanque para discursos já repetidos sobre violência contra a mulher — sempre com frases de efeito, sempre com moralismo inflamado, sempre evitando o assunto que realmente importava no palco: como o governo deixou a porta aberta para o golpe no bolso dos aposentados durante anos.