
Quando o céu desaba: marquise cai na Aldeia COP30 e provoca pânico entre indígenas
Temporal, raio e descaso: estrutura cede em alojamento da COP30 e Defesa Civil evacua área, evitando uma tragédia anunciada
A segunda-feira em Belém terminou com susto, correria e muita indignação. Durante um temporal daqueles que rasgam o céu, uma marquise de concreto despencou em uma das áreas usadas como alojamento da Aldeia COP30, instalada na Escola de Aplicação da UFPA. O local abriga cerca de 3 mil indígenas que vieram participar da conferência climática — e que, por pouco, não enfrentaram uma tragédia maior.
Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, um raio atingiu uma calha de concreto, o suficiente para fazer a estrutura desabar. A parte atingida é administrativa e não funciona como dormitório, o que impediu que o episódio tivesse vítimas. Ainda assim, o estrondo foi capaz de espalhar pânico entre quem descansava ali perto.
A marquise caiu do segundo andar, arrastando aparelhos de ar-condicionado e se espatifando bem ao lado do prédio, num trecho de área verde que estava vazio graças à chuva intensa.
Indígenas que estavam no alojamento relataram o medo repentino que tomou conta do lugar. O cacique Ednaldo Santos, do povo Tabajara da Paraíba, descreveu o momento como um choque coletivo:
— O trovão estourou em cima da quina e o povo começou a correr. Todo mundo correu, mas ninguém se machucou. A Defesa Civil e os Bombeiros chegaram rápido e interditaram.
A UFPA, responsável pela estrutura, não se posicionou até o momento. Já pela manhã seguinte, os indígenas seguiram com sua agenda: participaram de uma marcha paralela à COP30, mesmo após a noite de tensão.
O episódio escancara, mais uma vez, o abismo entre a grandiosidade dos discursos ambientais e a realidade vivida por quem deveria estar protegido e acolhido. Porque, no fim, quando a estrutura cai, quem corre é sempre o mesmo povo.