
Índia freia compra de armas dos EUA após aumento de tarifas, mas mantém portas abertas para o diálogo
Nova Déli reage às tarifas impostas por Trump e sinaliza disposição para negociar enquanto enfrenta impacto econômico
A Índia decidiu suspender vários contratos de compra de armas com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump anunciar um aumento de 25% nas tarifas sobre produtos indianos. Essa medida, segundo o governo americano, é uma forma de pressionar Nova Déli a reduzir as importações de petróleo russo — que, na visão dos EUA, estariam financiando a guerra na Ucrânia.
Entre os cortes, cancelou-se a viagem do ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, que iria a Washington para fechar a compra de seis aeronaves de vigilância Boeing P-8i Poseidon, negócio avaliado em US$ 3,6 bilhões. Também ficaram suspensas negociações envolvendo veículos blindados Stryker e mísseis antitanque Javelin.
O governo indiano classificou as tarifas como “injustas, irracionais e sem fundamento”. O primeiro-ministro Narendra Modi reafirmou que o país não vai abrir mão dos interesses de seus agricultores, setor essencial da economia e foco das negociações comerciais.
Se o impasse persistir, as tarifas de 25% poderão subir para 50%, um dos níveis mais altos impostos pelos EUA a um parceiro comercial, o que pode comprometer seriamente várias empresas indianas.
Mesmo diante desse cenário, a Índia mantém disposição para conversar. Fontes locais informaram à Reuters que Nova Déli está aberta a diminuir suas compras de petróleo russo, desde que encontre alternativas a preços competitivos, incluindo no mercado americano.
Os EUA deram um prazo até 27 de agosto para a Índia encontrar novas fontes de petróleo. O ex-diplomata Syed Akbaruddin chamou essa data de “uma armadilha geopolítica com prazo de 21 dias”, no jornal Times of India.
Essa disputa interrompe o movimento de aproximação que vinha acontecendo entre Índia e EUA, especialmente na área de defesa, onde o país asiático ainda depende muito da Rússia. As pressões de Trump também aumentam a pressão política sobre Modi, que lidera a maior população do mundo e uma das maiores economias globais.
A compra de petróleo russo ajudou a Índia a economizar bilhões, mantendo os preços dos combustíveis domésticos mais estáveis. Mudar essa fonte pode elevar os custos internos, mas manter a atual situação pode prejudicar as exportações indianas.
A Federação das Organizações de Exportação da Índia já alertou que as tarifas americanas extras podem tornar muitos negócios inviáveis. Urjit Patel, ex-presidente do banco central indiano, descreveu as ameaças como o “pior cenário” para o país.