Quando o dinheiro público tem destino certo: amigos do poder

Quando o dinheiro público tem destino certo: amigos do poder

Entidade que ofereceu cargo a Janja fatura R$ 710 milhões em contratos sem licitação no governo Lula

No Brasil, a roda do poder continua girando para os mesmos lados. Uma entidade internacional, a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) — que no início de 2023 chegou a oferecer um cargo à primeira-dama Janja — viu seu espaço no governo Lula se multiplicar como nunca antes. Amparada por dois decretos assinados pelo próprio presidente, a OEI já garantiu 21 contratos e acordos, somando a impressionante cifra de R$ 710 milhões com 19 órgãos da atual gestão.

E não é só o valor que chama atenção, mas a forma. Os contratos são firmados sem licitação e ainda vêm acompanhados de uma taxa de administração que Lula elevou de 5% para até 10%. Na prática, isso significa que, apenas com a COP-30 e a Cúpula do G20, a entidade vai embolsar R$ 30,6 milhões — dinheiro público que sai direto para o caixa da organização.

Para completar, Lula assinou outro decreto permitindo que a OEI contrate empresas sem licitação para executar esses acordos e sem precisar passar pelo aval da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Basta avisar. Conveniente, não?

A relação é tão “especial” que a sede da OEI em Brasília funciona praticamente como uma embaixada: só pode ser alvo de fiscalização com autorização da própria direção. Uma blindagem que qualquer entidade privada no Brasil adoraria ter.

No governo Bolsonaro, essa mesma entidade fechou R$ 78,9 milhões em contratos. No Lula 3, já são quase R$ 200 milhões transferidos em dois anos. E, repito: tudo sem licitação.

A maior fatia desses contratos está sob o controle de ministros e dirigentes do PT. Só na Casa Civil, para a COP-30 em Belém, a OEI vai receber R$ 478 milhões — dos quais R$ 22,7 milhões serão apenas a tal “taxa administrativa”.

O governo diz que o objetivo não é “vantagem financeira” (sic), mas “aportar conhecimento técnico”. Difícil acreditar quando se olha para o histórico e o tamanho da conta.

Enquanto isso, o país segue atolado em problemas urgentes, mas o dinheiro corre solto para amigos do poder — que, coincidentemente, já demonstraram afeto e oportunidades para a primeira-dama.

Se fosse para premiar eficiência, transparência e compromisso com o interesse público, talvez fosse outra história. Mas, pelo visto, a prioridade é manter bem alimentada a rede de aliados, com contratos milionários e blindagem digna de chefes de Estado.

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